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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

Transtornos psicóticos

Os transtornos psicóticos abrangem uma gama de condições complexas que vão além da esquizofrenia. Embora esta seja frequentemente a mais conhecida, outras condições, como o transtorno esquizoafetivo e o transtorno delirante, também apresentam características importantes de desorganização do pensamento e percepção distorcida da realidade. Essas manifestações podem variar de intensidade e não necessariamente seguem um padrão uniforme, o que torna seu reconhecimento desafiador em alguns casos.


Em muitos transtornos psicóticos, a pessoa pode vivenciar delírios e alucinações, distorções sensoriais e de percepção, que afetam seu contato com o mundo ao redor. É como se a linha entre o que é real e o que é imaginado se tornasse extremamente tênue. Isso pode influenciar a forma como a pessoa interpreta eventos cotidianos, criando um senso de isolamento ou alienação dos outros.


O transtorno esquizoafetivo, por exemplo, combina características de transtornos de humor, como depressão e mania, com sintomas psicóticos. Esse entrelaçamento torna o diagnóstico mais complexo, exigindo uma observação detalhada do comportamento. Nesse caso, há uma flutuação entre períodos de estabilidade emocional e fases onde os sintomas psicóticos se intensificam, afetando a percepção e a capacidade de lidar com situações cotidianas.


O transtorno delirante, por outro lado, caracteriza-se principalmente pela presença de delírios persistentes, muitas vezes focados em um tema específico, como perseguição ou grandiosidade. Ao contrário de outros transtornos psicóticos, a pessoa pode não apresentar grandes comprometimentos na vida diária, exceto pelo impacto direto dos delírios em suas interações e decisões. A crença nessas ideias é imutável, mesmo frente a evidências contrárias.


Outro aspecto relevante é o papel da genética e do ambiente no desenvolvimento desses transtornos. A predisposição genética pode interagir com fatores ambientais, como eventos estressantes ou experiências traumáticas, desencadeando o aparecimento dos sintomas. No entanto, não há um único fator causador, e a combinação de influências externas e internas varia de pessoa para pessoa.


Algumas pessoas experimentam episódios psicóticos breves, onde a perda de contato com a realidade é temporária, geralmente em resposta a eventos estressantes extremos. Esse tipo de manifestação psicótica pode durar de dias a semanas, e a recuperação é completa. No entanto, a repetição desses episódios pode sinalizar o início de um transtorno psicótico mais duradouro, tornando crucial o acompanhamento.


É importante destacar que, mesmo em meio a essas experiências intensas, muitos indivíduos conseguem retomar uma vida funcional após períodos de tratamento adequado e suporte. A complexidade dos transtornos psicóticos não significa que a recuperação seja impossível, mas, sim, que ela pode exigir um acompanhamento contínuo e multifacetado.


A esquizofrenia, por sua vez, caracteriza-se por uma combinação de sintomas que afetam o pensamento, o comportamento e as emoções. Essa condição costuma se manifestar no final da adolescência ou início da idade adulta, sendo marcada por surtos psicóticos seguidos por períodos de estabilização. Embora o estigma em torno da esquizofrenia seja significativo, ela não é sinônimo de violência ou perigo, como muitas vezes é retratada.


O tratamento dos transtornos psicóticos, no geral, envolve uma abordagem cuidadosa e de longo prazo. O acompanhamento adequado e intervenções direcionadas podem melhorar a qualidade de vida, promovendo maior estabilidade e funcionalidade. Embora os sintomas possam não desaparecer completamente, é possível atenuá-los, oferecendo uma perspectiva de melhora.


Por fim, é essencial entender que os transtornos psicóticos variam amplamente entre os indivíduos. Cada pessoa tem sua própria experiência com a realidade e, mesmo diante de uma condição que afeta a percepção, há espaço para esperança e para a possibilidade de manejo dos sintomas, promovendo uma vida mais estruturada e funcional.

Por Ana Luiza Faria

Setembro Amarelo | Suicídio: prevenção e apoio

Setembro Amarelo é uma campanha que busca conscientizar sobre a prevenção do suicídio, trazendo à tona um tema delicado, mas necessário. É essencial reconhecer sinais de alerta, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento e sentimentos de desesperança. O sofrimento que leva ao ato de tirar a própria vida é profundo e complexo, mas é possível intervir oferecendo apoio adequado. A abertura para falar sobre o tema pode salvar vidas, permitindo que as pessoas se sintam ouvidas e acolhidas em seus momentos de maior fragilidade.


Um dos principais pontos na prevenção é a valorização do diálogo. Criar espaços onde as pessoas se sintam seguras para expressar suas dores, sem julgamentos, pode fazer a diferença. O silêncio em torno do assunto ainda persiste, mas romper essa barreira é fundamental. Muitas vezes, quem pensa em suicídio pode não verbalizar diretamente, mas seus comportamentos refletem um pedido de ajuda. Por isso, estar atento e disponível pode proporcionar a oportunidade de oferecer suporte antes que o sofrimento se agrave.


A rede de apoio é crucial no processo de prevenção. Amigos, familiares e colegas podem desempenhar um papel importante ao estarem presentes e disponíveis emocionalmente. Ninguém precisa ser um especialista para oferecer apoio, mas é importante estar disposto a ouvir e incentivar a busca por ajuda profissional quando necessário. O simples ato de demonstrar preocupação e interesse pode trazer alívio em momentos de crise. Saber que não se está sozinho é muitas vezes o primeiro passo em direção à recuperação.


Embora o tema seja delicado, é necessário desmistificar o suicídio e abordar suas causas de forma aberta e respeitosa. O sofrimento emocional, quando ignorado ou subestimado, pode levar ao agravamento do quadro. A prevenção envolve a criação de uma rede de cuidado que integre compreensão, acolhimento e apoio. Ao falar sobre o tema de forma franca, permite-se que aqueles que estão passando por momentos difíceis se sintam menos isolados em sua dor.


A busca por sentido e propósito em meio ao sofrimento pode ser um dos desafios enfrentados por quem lida com pensamentos suicidas. O vazio existencial, frequentemente associado a esses momentos, pode fazer com que a pessoa sinta que não há saída. Contudo, ao proporcionar um espaço de escuta e acolhimento, é possível ajudá-las a enxergar novas possibilidades. Cada ser humano tem uma história única, e compreender essa complexidade é fundamental para apoiar quem está em sofrimento.


O Setembro Amarelo também nos lembra da importância de cuidar da saúde emocional como um todo. O cuidado contínuo com o bem-estar, com o apoio de profissionais especializados, é uma forma eficaz de prevenir o agravamento de crises emocionais. Em muitos casos, o sofrimento emocional pode ser mascarado por sorrisos ou uma vida aparentemente "normal", o que torna ainda mais importante a sensibilidade para identificar sinais de que algo não está bem.


Ao longo da vida, todos enfrentam desafios e momentos difíceis, mas é importante saber que pedir ajuda não é um sinal de fraqueza. Muitas vezes, o apoio externo é o que possibilita a superação desses momentos de crise. Em tempos de maior vulnerabilidade, a presença de pessoas que se importam e estão dispostas a ajudar pode ser transformadora. O suporte emocional oferecido por quem está próximo pode ser o ponto de virada em momentos de desespero.


A sensibilização para a prevenção do suicídio vai além do mês de setembro. É uma tarefa contínua, que requer atenção constante à saúde emocional de todos à nossa volta. Ao promover conversas sobre o tema, é possível reduzir o estigma associado ao sofrimento psicológico e, assim, aumentar as chances de intervenção precoce. A prevenção envolve reconhecer o valor da vida e agir em prol do bem-estar de cada indivíduo, oferecendo o suporte necessário em momentos críticos.


O papel das campanhas como o Setembro Amarelo é justamente promover a conscientização e a mobilização social. Elas nos lembram da responsabilidade coletiva que temos em relação ao bem-estar das pessoas ao nosso redor. Ao romper o silêncio e encorajar o diálogo, contribui-se para a construção de uma sociedade mais solidária e atenta às necessidades emocionais de seus indivíduos. Falar sobre suicídio é um passo essencial para combater o preconceito e o tabu em torno do tema.


Em última análise, a prevenção do suicídio é um ato de cuidado e responsabilidade com o próximo. Saber ouvir, oferecer apoio e estar presente pode salvar vidas. É preciso que todos se envolvam na luta contra o estigma e o silêncio que cercam o tema. O Setembro Amarelo é uma oportunidade para reforçar essa missão e lembrar que, por mais difícil que seja o momento, há caminhos possíveis para a superação e o acolhimento.


Perguntas Frequentes - Setembro Amarelo


1. O que é o Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha global de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Seu principal objetivo é trazer à tona este tema delicado, mas urgente, promovendo a conversa aberta e combatendo o estigma associado ao sofrimento mental.


2. Quais são os sinais de alerta de que alguém pode estar pensando em suicídio?

Mudanças bruscas de comportamento, como tristeza profunda, apatia, irritabilidade, isolamento social, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas e falas sobre desesperança, podem ser sinais de alerta. É importante lembrar que cada pessoa é única e pode manifestar o sofrimento de maneira diferente.


3. O que fazer se eu suspeitar que alguém próximo está em risco?

O primeiro passo é oferecer um espaço de escuta acolhedor e sem julgamentos. Demonstre genuína preocupação e incentive a pessoa a buscar ajuda profissional, como psicólogos e psiquiatras.


4. Eu preciso ser um especialista para ajudar alguém com pensamentos suicidas?

Não é preciso ser especialista, mas é fundamental estar presente, demonstrar apoio e incentivar a busca por ajuda profissional quando necessário. Saber ouvir sem julgar e demonstrar que a pessoa não está sozinha já é um grande passo.


5. Como o Setembro Amarelo contribui para a prevenção do suicídio?

A campanha promove a conscientização sobre o tema, incentivando o diálogo aberto e a busca por ajuda. Romper o silêncio e o estigma associado ao suicídio é crucial para que as pessoas se sintam acolhidas e encorajadas a buscar apoio.


6. A prevenção do suicídio se limita ao mês de setembro?

Não. A prevenção é um esforço contínuo que exige atenção constante à saúde mental e bem-estar, tanto nosso quanto das pessoas ao nosso redor.


7. Qual a importância de falar sobre saúde mental?

Falar sobre saúde mental ajuda a normalizar o tema, combate o preconceito e encoraja a busca por ajuda profissional.


8. Onde posso encontrar ajuda se eu ou alguém que conheço estiver precisando?

Existem diversos recursos disponíveis, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional 24 horas por telefone, e-mail e chat, através do número 188. Além disso, serviços de saúde mental, como Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem atendimento gratuito.

Por Ana Luiza Faria

Transtorno de acumulação

O transtorno de acumulação é caracterizado pela dificuldade persistente em se desfazer de objetos, independentemente de seu valor real.

As pessoas que sofrem com essa condição tendem a acumular grandes quantidades de itens, o que pode comprometer o uso de seus espaços de vida. Esse comportamento pode resultar em ambientes desorganizados e até insalubres, além de prejudicar relações pessoais e a qualidade de vida. A resistência em descartar esses objetos vai além de uma simples desordem; trata-se de um apego emocional profundo e muitas vezes incompreendido.


Esse acúmulo excessivo geralmente está ligado a questões emocionais complexas. Objetos aparentemente comuns podem carregar um peso simbólico significativo para a pessoa, representando lembranças, sentimentos de segurança ou controle sobre a vida. A dificuldade em abrir mão desses itens reflete um processo interno de luta, onde cada descarte pode ser sentido como uma perda irreparável. Muitas vezes, essa retenção está associada ao medo do arrependimento ou da necessidade futura, o que torna o desapego ainda mais desafiador.


A desorganização provocada pela acumulação pode ser vista como uma manifestação externa de conflitos internos. A pessoa pode sentir-se sobrecarregada por emoções ou pensamentos que, de certa forma, encontram alívio no ato de guardar objetos. Com o tempo, essa prática pode gerar uma sobrecarga ainda maior, já que o ambiente desordenado passa a ser uma fonte adicional de estresse. Essa dinâmica pode criar um ciclo vicioso, onde o acúmulo serve tanto como tentativa de proteção quanto como fonte de sofrimento.


Além do impacto direto no ambiente físico, o transtorno de acumulação pode afetar a saúde mental e as relações interpessoais. Familiares e amigos podem não entender a profundidade emocional envolvida no acúmulo, levando a conflitos ou até ao afastamento. A dificuldade em controlar esse comportamento pode gerar sentimentos de vergonha e isolamento, o que reforça ainda mais o ciclo do acúmulo. Esse isolamento agrava a percepção de que a pessoa está presa em sua própria realidade, sem conseguir encontrar uma saída.


Muitas vezes, o acúmulo começa de forma discreta, com itens que parecem inofensivos. Entretanto, à medida que o tempo passa, a quantidade de objetos pode se tornar incontrolável. A pessoa pode perder a noção do espaço e do tempo, imersa na tarefa de organizar ou proteger seus pertences. Nesse ponto, o acúmulo deixa de ser uma escolha consciente e passa a ser uma necessidade emocional que domina o dia a dia, interferindo na capacidade de tomar decisões racionais sobre o que é essencial ou não.


O processo de acumulação também pode estar relacionado a experiências passadas de perda ou trauma. Para algumas pessoas, manter objetos pode representar uma tentativa de compensar ausências emocionais ou preencher lacunas de suas histórias. Nesse sentido, os objetos acumulados funcionam como âncoras que os conectam a momentos específicos de suas vidas. Essa conexão com o passado pode dificultar ainda mais a disposição em abrir mão dos itens, mesmo quando eles não têm mais utilidade prática.


A progressão do transtorno de acumulação pode levar a condições extremas, onde a pessoa não consegue mais utilizar partes de sua casa ou até mesmo se locomover livremente dentro de seu ambiente. Esse estado avançado do transtorno pode gerar riscos à saúde física, com o aumento de poeira, mofo e infestações, além do perigo de acidentes. Nesses casos, o acúmulo de objetos compromete não apenas a qualidade de vida, mas também a segurança da pessoa e de quem convive com ela.


O sentimento de controle é outro aspecto relevante no transtorno de acumulação. Muitas vezes, o ato de guardar objetos é visto como uma forma de manter o domínio sobre certas áreas da vida que parecem caóticas. O acúmulo oferece uma sensação temporária de segurança, mesmo que ilusória. No entanto, à medida que os objetos se acumulam, a desordem física cresce, minando a sensação de controle que a pessoa inicialmente buscava. Isso cria uma dissonância entre a intenção de organização e o caos resultante.


A psicoterapia pode ser uma aliada importante no tratamento do transtorno de acumulação, auxiliando os pacientes a compreenderem a origem emocional de seu comportamento. Por meio de um acompanhamento especializado, é possível identificar os fatores que levam ao apego excessivo aos objetos e trabalhar maneiras de lidar com essas questões de forma mais saudável. Esse processo pode ajudar o paciente a desenvolver uma nova relação com o ambiente e os objetos ao seu redor, promovendo uma melhora na organização do espaço e na qualidade de vida. O apoio terapêutico também é fundamental para o enfrentamento do estresse e do isolamento que costumam acompanhar o transtorno.


O transtorno de acumulação pode ser difícil de reconhecer nos estágios iniciais, tanto para quem sofre com ele quanto para as pessoas ao redor. A princípio, o comportamento pode ser visto como um simples hábito ou uma preferência pessoal. No entanto, com o tempo, o impacto negativo do acúmulo se torna evidente. O excesso de objetos deixa de ser algo inofensivo e começa a interferir na funcionalidade do ambiente e na saúde emocional da pessoa.


Embora o transtorno de acumulação seja um desafio complexo, há formas de enfrentar essa situação. A compreensão do papel dos objetos na vida emocional é essencial para que a pessoa possa começar a identificar e a questionar a real necessidade de manter cada item. Esse processo de reflexão pode ser o primeiro passo em direção a um ambiente mais organizado e a uma vida com maior sensação de liberdade. Contudo, o caminho para superar o acúmulo é gradual e requer paciência e perseverança.

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