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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

A influência da genética na saúde mental.

A influência da genética na saúde mental é um campo complexo e envolvente. Estudos apontam que certas predisposições podem ser transmitidas de geração em geração, moldando aspectos da personalidade, reações emocionais e até a maneira como lidamos com o estresse. Essas influências, entretanto, não determinam de maneira absoluta o comportamento ou a saúde de uma pessoa, pois o ambiente também desempenha um papel significativo nesse equilíbrio delicado.


Fatores genéticos podem criar uma base, mas as experiências ao longo da vida têm o poder de reforçar ou suavizar essas predisposições. Por exemplo, indivíduos com uma herança familiar que os predisponha a certas condições podem desenvolver estratégias que ajudam a lidar melhor com desafios emocionais. Assim, genética e ambiente se entrelaçam, oferecendo possibilidades de desenvolvimento que vão além daquilo que herdamos biologicamente.


Pesquisas sugerem que a interação entre a biologia e as circunstâncias de vida é essencial para compreender a saúde mental. Enquanto a genética pode fornecer uma predisposição para certos padrões emocionais, é o contexto em que uma pessoa vive que frequentemente determina se essas tendências irão se manifestar ou não. Assim, saúde mental é resultado de uma complexa dança entre os genes e o meio ambiente.


Cientistas também investigam como pequenas alterações genéticas, conhecidas como polimorfismos, podem influenciar a forma como o cérebro processa emoções e se adapta a situações estressantes. Essas variações podem afetar neurotransmissores, substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre os neurônios, influenciando o bem-estar emocional. Contudo, mesmo com essas predisposições, o ser humano não está inteiramente à mercê da sua genética.


A epigenética, o estudo de como os fatores ambientais podem modificar a expressão dos genes, traz uma nova perspectiva sobre como hábitos e vivências podem modificar essa herança. Isso significa que, embora nasçamos com uma carga genética específica, o modo como vivemos pode alterar o impacto dessa carga ao longo do tempo. Assim, hábitos saudáveis e apoio emocional podem contribuir para uma saúde mais equilibrada.


Outro ponto importante é que a hereditariedade pode influenciar não só o desenvolvimento de problemas emocionais, mas também a capacidade de superação diante de adversidades. Algumas pessoas herdam características que as tornam mais sensíveis a estressores, enquanto outras herdam uma maior capacidade de recuperação. O equilíbrio entre essas forças pode determinar a trajetória de uma vida.


Ao considerar a genética, é importante lembrar que as influências herdadas não funcionam em isolamento. O desenvolvimento humano é uma combinação de muitos fatores, e a herança genética é apenas uma peça do quebra-cabeça. O contexto social, familiar e até as experiências de infância são elementos cruciais que podem alterar o impacto de qualquer predisposição biológica.


Entender a influência da genética pode ajudar a desvendar padrões de comportamento que, em alguns casos, parecem surgir "do nada". Isso pode fornecer clareza sobre determinadas reações e ajudar a identificar estratégias para lidar com essas influências. Embora a genética ofereça pistas, é a interação com o ambiente que define o resultado final.


O avanço da ciência tem revelado que a herança genética não é um destino imutável, mas sim uma predisposição que pode ser modulada. Assim, a importância de um ambiente saudável e de relações sociais positivas é cada vez mais evidente na busca pelo equilíbrio. Reconhecer esse equilíbrio entre genética e ambiente abre portas para intervenções mais eficazes e personalizadas.


Em suma, a genética desempenha um papel importante, mas não exclusivo, na saúde mental. Embora carreguemos características de nossos antepassados, o caminho que trilhamos é fortemente influenciado por como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. Dessa forma, o equilíbrio entre o que herdamos e o que vivemos define, em grande parte, a nossa saúde e bem-estar ao longo da vida.

Por Ana Luiza Faria

Transtorno de despersonalização/desrealização

O transtorno de despersonalização e desrealização é caracterizado por uma sensação persistente ou recorrente de estar desconectado do próprio corpo ou das experiências ao redor. Indivíduos afetados descrevem a sensação como se estivessem observando a si mesmos de fora, como em um sonho, ou como se o mundo ao seu redor fosse irreal. Essas sensações podem ser profundamente perturbadoras, levando a uma sensação de estranhamento em relação à própria existência e às interações cotidianas. A frequência e intensidade desses episódios variam, podendo ser desencadeados por estresse ou traumas passados. Embora essa condição cause grande desconforto, muitos não conseguem expressar claramente o que sentem, aumentando o sofrimento.


A despersonalização envolve uma desconexão interna, onde o indivíduo sente que perdeu o controle de seus próprios pensamentos e ações. Pode haver uma sensação de automação, como se estivesse assistindo a si mesmo em vez de viver ativamente. Por outro lado, a desrealização afeta a percepção do ambiente externo, tornando-o estranho ou distante. O mundo pode parecer artificial, sem vida, ou como se estivesse separado por uma barreira invisível. Esses episódios não indicam perda de contato com a realidade, mas sim uma distorção na forma como a mente processa as experiências.


Pessoas com essas sensações frequentemente se perguntam se estão "perdendo a cabeça" devido à natureza incomum dos sintomas. Essa sensação pode levar a um círculo vicioso de ansiedade e preocupação, exacerbando ainda mais a desconexão com a realidade. É comum que as pessoas afetadas sintam uma intensa necessidade de entender e controlar essas sensações, o que pode, paradoxalmente, intensificá-las. O ciclo pode se tornar tão dominante que atividades diárias simples se tornam extenuantes e desconcertantes.


As causas dessas condições são complexas e multifatoriais. Experiências de estresse extremo, traumas emocionais, ou situações ameaçadoras à integridade podem servir como gatilhos. Além disso, predisposições individuais, como uma sensibilidade maior ao estresse, podem aumentar a vulnerabilidade. Em alguns casos, os sintomas podem surgir como uma resposta de defesa da mente para se distanciar de experiências emocionalmente avassaladoras.


Durante esses episódios, pode ser difícil manter um senso de identidade ou de conexão com o mundo ao redor. A realidade parece distorcida, e o próprio corpo pode parecer desconhecido. Isso cria uma sensação de alienação e isolamento, onde as interações sociais perdem seu significado usual. Mesmo as memórias podem parecer desprovidas de emoção, como se pertencessem a outra pessoa. Essa desconexão pode impactar negativamente a autoestima e a qualidade de vida.


A intensidade dos sintomas pode variar ao longo do tempo, com períodos de exacerbação seguidos por fases de relativa estabilidade. No entanto, a imprevisibilidade dos episódios pode causar uma ansiedade constante sobre quando o próximo episódio ocorrerá. Esse medo contínuo de reviver os sintomas pode levar a um estado de hipervigilância, onde o indivíduo está constantemente monitorando seus pensamentos e percepções, o que pode intensificar o ciclo do transtorno.


A busca por alívio pode levar a comportamentos evitativos, onde o indivíduo tenta minimizar as situações que desencadeiam os sintomas. Isso pode incluir evitar locais, pessoas, ou atividades que, no passado, pareciam agravar a despersonalização ou desrealização. No entanto, essas tentativas de evitar os gatilhos muitas vezes limitam ainda mais a vida diária, contribuindo para um ciclo de isolamento e desconforto. A incapacidade de encontrar uma solução eficaz pode gerar um sentimento de desesperança.


Com o tempo, essas sensações podem se tornar uma parte intrusiva e debilitante da vida do indivíduo. A sensação constante de desconexão pode dificultar a concentração, o desempenho no trabalho, e as relações interpessoais. Amigos e familiares podem ter dificuldade em entender o que a pessoa está passando, o que pode aumentar o sentimento de solidão. A falta de compreensão externa pode reforçar a ideia de que a experiência é única e incompreensível, exacerbando o isolamento.


A psicoterapia pode ser uma ferramenta valiosa para aqueles que experimentam essas condições. Ao explorar as raízes emocionais subjacentes e desenvolver estratégias para lidar com os sintomas, a psicoterapia pode ajudar na construção de uma rotina mais leve e menos estressante. Com o suporte adequado, é possível melhorar a compreensão de si mesmo e encontrar maneiras de reduzir a intensidade dos episódios, levando a uma vida mais equilibrada.


É fundamental lembrar que, embora a despersonalização e a desrealização sejam desconcertantes, elas são respostas da mente a situações complexas e difíceis. Com o tempo e o esforço, muitos indivíduos encontram maneiras de reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas, permitindo uma maior sensação de controle sobre suas vidas.

Por Ana Luiza Faria

Trabalho voluntário

O trabalho voluntário tem se mostrado uma atividade enriquecedora para muitos, não apenas por beneficiar os outros, mas também pelo impacto positivo em quem o pratica. Envolver-se em ações altruístas pode proporcionar um senso de propósito, contribuindo para o bem-estar geral. A conexão com outras pessoas através de atividades comunitárias pode fortalecer o sentido de pertencimento, ajudando a criar laços sociais importantes.


Ao investir tempo e esforço em uma causa, os voluntários frequentemente experimentam um aumento na satisfação pessoal. Sentir-se útil e capaz de fazer a diferença pode melhorar o humor e trazer uma sensação de realização. Além disso, engajar-se nessas atividades oferece a oportunidade de desenvolver novas habilidades, o que pode elevar a autoconfiança.


O envolvimento em iniciativas sociais permite o contato com realidades diferentes, promovendo uma visão mais ampla do mundo. Essa exposição a diversas experiências pode estimular a reflexão e o crescimento pessoal. Enfrentar desafios e resolver problemas em contextos variados também fortalece a capacidade de adaptação em diversas situações da vida.


Essas ações podem funcionar como uma válvula de escape das pressões do dia a dia. A mudança de foco dos próprios problemas para os de outros proporciona um alívio temporário, ajudando a reduzir o estresse. Além disso, dedicar-se a causas maiores pode ajudar a colocar em perspectiva as próprias preocupações, promovendo um equilíbrio emocional.


A interação com outros participantes e beneficiários cria oportunidades para construir novas amizades e redes de apoio. Esses novos relacionamentos, muitas vezes baseados em valores comuns e objetivos compartilhados, são extremamente valiosos para a construção de uma rede de suporte emocional sólida.


Além de contribuir para o bem-estar social, o envolvimento em atividades voluntárias pode incentivar hábitos saudáveis e melhorar a qualidade de vida. Participar regularmente de atividades físicas e sociais é conhecido por seus benefícios à saúde física e emocional. O ato de ajudar também libera substâncias químicas no cérebro associadas à felicidade, criando uma sensação de bem-estar prolongada.


Em momentos de crise pessoal ou emocional, dedicar-se a causas sociais oferece uma sensação de estrutura e propósito, útil quando tudo ao redor parece incerto. Ao assumir responsabilidades e compromissos com uma causa, a pessoa encontra um ponto de apoio para se reequilibrar emocionalmente.


Muitas pessoas relatam que essas atividades proporcionaram um novo sentido de vida, ajudando-as a encontrar novos objetivos e motivações. Esse tipo de engajamento é particularmente benéfico para quem enfrenta momentos de transição, como a aposentadoria ou a perda de um ente querido, oferecendo uma maneira de se sentir útil e conectado novamente.


A prática regular de ações voluntárias pode promover uma mentalidade mais positiva e otimista. Ao testemunhar o impacto positivo de suas ações, os envolvidos desenvolvem uma visão mais esperançosa e construtiva do mundo ao seu redor. Isso pode ser uma fonte de energia positiva, ajudando a enfrentar os desafios do cotidiano com mais confiança.


Para aqueles que buscam uma vida menos estressante e uma rotina mais leve, a psicoterapia pode ser um recurso valioso. Ela ajuda a identificar fontes de tensão e a desenvolver estratégias para lidar com elas de maneira mais saudável. Ao combinar esse apoio com o voluntariado, é possível cultivar um estilo de vida mais equilibrado e satisfatório.


Por fim, envolver-se em causas sociais pode ser uma experiência transformadora, abrindo portas para novas oportunidades e novas formas de ver a vida. Ao engajar-se em ações que beneficiam a comunidade, cada indivíduo pode descobrir novas paixões e interesses, contribuindo não apenas para o bem-estar coletivo, mas também para seu próprio desenvolvimento pessoal.

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