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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

Ausência do pai

A ausência do pai na vida de uma filha pode deixar marcas profundas, que se manifestam de formas variadas ao longo da vida. Desde a infância, a falta da figura paterna pode gerar um vazio emocional, uma sensação de incompletude que se torna uma constante companheira. É como se faltasse um pedaço fundamental do quebra-cabeça familiar, deixando-a em busca incessante por algo que talvez nunca encontre.


Na adolescência, essa ausência pode se manifestar de maneira ainda mais intensa. É nesse período que a figura do pai se torna crucial na construção da identidade e na definição dos limites. Sem esse referencial, a jovem pode se sentir perdida, sem uma bússola para guiá-la pelo turbulento mar das descobertas e das transformações que caracterizam essa fase da vida.


À medida que a vida adulta se aproxima, os efeitos da ausência paterna podem se tornar mais evidentes. Relacionamentos amorosos podem ser afetados, com a busca por figuras masculinas que preencham o vazio deixado pela ausência do pai. Essa busca nem sempre é consciente, mas as escolhas e os padrões de relacionamento podem revelar a tentativa de suprir essa lacuna emocional.


No âmbito profissional, a ausência do pai pode influenciar na autoconfiança e na capacidade de assumir desafios. A falta de um modelo paterno para inspirar e encorajar pode gerar inseguranças e dúvidas quanto às próprias habilidades e capacidades. A sensação de não ter alguém para compartilhar conquistas e receber orientações pode dificultar o desenvolvimento profissional e pessoal.


Mesmo na vida adulta, a ausência do pai continua a ecoar. Em momentos importantes, como casamentos, nascimentos de filhos e conquistas pessoais, a falta de sua presença física pode ser dolorosamente sentida. São momentos em que se percebe com clareza o que foi perdido e as consequências dessa ausência ao longo dos anos.


No entanto, é importante ressaltar que a ausência do pai não determina o destino de uma filha. Apesar dos desafios e das dificuldades enfrentadas, muitas mulheres conseguem superar essas lacunas e construir vidas plenas e significativas. Com o apoio de outras figuras familiares, amigos e, muitas vezes, terapia, é possível elaborar essas feridas emocionais e encontrar formas saudáveis de lidar com elas.


Ao reconhecer e compreender os efeitos da ausência do pai, é possível iniciar um processo de cura e transformação. É um caminho que exige coragem, mas que também oferece a oportunidade de se reconectar consigo mesma e com suas próprias necessidades emocionais. É uma jornada de autoconhecimento e aceitação, que permite à filha reconstruir sua identidade sobre bases sólidas e autênticas.

Por Ana Luiza Faria

Albert Camus

A vida é uma jornada repleta de encruzilhadas e paradoxos, onde nos vemos constantemente confrontados com a realidade da existência humana. Albert Camus, em sua obra, nos convida a encarar essa realidade de frente, a aceitar a absurdez inerente à vida e, mesmo assim, buscar ativamente a integridade e a mudança dentro desse contexto. Em seu livro "O Mito de Sísifo", Camus escreve:

"O homem está sempre disposto a negar tudo o que o ultrapassa, tudo o que é mistério, e a resolver tudo o que é problema. E, no entanto, o que se passa em nosso mundo ultrapassa a razão."

Essa citação ressoa profundamente quando consideramos as complexidades da existência humana.


Diante das incertezas e contradições do mundo, é natural que nos questionemos sobre o sentido da vida e sobre o nosso papel dentro dela. Nos deparamos com situações que desafiam nossa compreensão e nos confrontam com a inevitabilidade do desconhecido. É nesses momentos de confronto com o absurdo que somos testados em nossa capacidade de aceitação e de ação.


Aceitar a absurdez não significa resignar-se à passividade ou ao desespero, mas sim reconhecer a realidade tal como ela é, com todas as suas imperfeições e contradições. É entender que a vida nem sempre segue um curso linear e previsível, e que muitas vezes nos encontramos diante de dilemas sem solução aparente.


No entanto, essa aceitação não nos isenta da responsabilidade de agir com integridade e buscar transformar o mundo ao nosso redor. Mesmo diante da aparente falta de sentido, somos chamados a fazer escolhas éticas e a nos engajar em causas que consideramos justas e significativas. Como disse Camus, "a grandeza de um homem não está em não cair, mas em levantar-se sempre depois de cada queda."


É na vivência do dia a dia, nas pequenas atitudes e nos relacionamentos interpessoais, que encontramos oportunidades para manifestar nossa integridade e nossa humanidade. Cada gesto de solidariedade, cada palavra de conforto, cada ato de amor são manifestações concretas da nossa capacidade de transcender o absurdo e criar significado em meio à adversidade.


Por mais desafiadora que seja a jornada, não podemos perder de vista a importância de manter viva a chama da esperança e da resiliência. Mesmo nos momentos mais sombrios, há sempre uma luz que nos guia e nos inspira a seguir em frente. Como afirmou Camus, "no meio do inverno, aprendi finalmente que havia em mim um verão invencível."


Assim, ao aceitar a absurdez da vida, não nos resignamos à inércia ou ao desespero, mas sim nos fortalecemos para enfrentar os desafios com coragem e determinação. É na aceitação corajosa da nossa condição humana e na busca incessante por um mundo melhor que encontramos o verdadeiro significado da existência.

Por Ana Luiza Faria


Mascaras sociais

Nos dias de hoje, a busca pela felicidade ganhou uma nova roupagem, um aspecto quase superficial, onde parece estar sempre disponível para consumo instantâneo. Mas será que estamos realmente compreendendo o que significa ser feliz?


A sociedade moderna muitas vezes nos leva a acreditar que a felicidade é encontrada em eventos grandiosos, experiências luxuosas e conquistas espetaculares. No entanto, essa busca incessante por momentos de êxtase pode nos deixar presos em uma busca eterna, onde a verdadeira felicidade parece sempre escapar por entre os dedos.


O cerne da questão reside na compreensão de que a felicidade genuína não se encontra nas exterioridades da vida, mas sim nos momentos simples e nas conexões humanas significativas. Não é sobre ter a vida perfeita, mas sim sobre encontrar alegria nas pequenas coisas do dia a dia, cultivar relacionamentos autênticos e descobrir um senso de propósito e significado pessoal.


Além disso, é importante reconhecer que a felicidade não é um estado estático, mas sim um processo dinâmico. Ela inclui momentos de alegria, mas também desafios e adversidades que nos permitem crescer e evoluir como indivíduos. Aceitar essa dualidade da vida é fundamental para uma jornada de felicidade mais completa e satisfatória.


Portanto, ao invés de nos perdermos na ilusão da busca incessante por momentos de felicidade efêmera, vamos nos voltar para dentro, cultivando uma felicidade autêntica e duradoura. É ao explorar as profundezas da nossa própria essência e encontrar contentamento nas experiências cotidianas que verdadeiramente descobrimos o real significado da felicidade.



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