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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

Homem acorrentado a medicamentos

A abordagem convencional da psiquiatria parece estar mais focada em diagnosticar doenças mentais do que em proporcionar cuidados eficazes para pessoas que estão enfrentando dificuldades emocionais. Uma perspectiva contrária ao diagnóstico questiona a prática de rotular doenças e tratá-las como entidades independentes das experiências das pessoas, ao mesmo tempo em que critica o isolamento social que muitas vezes ocorre quando alguém é diagnosticado com um transtorno mental.


Os diagnósticos psiquiátricos tendem a categorizar e estigmatizar as pessoas, contribuindo para a discriminação daqueles que são classificados como tendo um transtorno. Isso simplifica excessivamente o sofrimento emocional e ignora as complexas causas subjacentes, como fatores econômicos, sociais, familiares e culturais. Além disso, muitos diagnósticos psiquiátricos carecem de uma base científica sólida, muitas vezes sendo baseados em critérios subjetivos em vez de evidências biológicas ou testes objetivos. Os tratamentos frequentemente se concentram apenas em aliviar os sintomas, em vez de abordar as raízes subjacentes do sofrimento.


Portanto, é essencial considerar o contexto social, histórico, cultural e psicológico que contribui para o sofrimento emocional de cada pessoa. A abordagem "antidiagnóstica" se opõe à tendência de diagnosticar e, em vez disso, busca compreender as experiências individuais e os fatores que contribuem para o sofrimento emocional.


Receber um diagnóstico psiquiátrico pode ter implicações negativas na vida de alguém, incluindo o estigma associado a transtornos mentais, que pode levar à discriminação e à exclusão social. Isso afeta a autoimagem e a autoestima das pessoas diagnosticadas, resultando em sentimentos de vergonha, culpa e inadequação. Muitas vezes, as pessoas evitam procurar tratamento devido ao medo do estigma, o que pode piorar seu sofrimento emocional e prejudicar sua qualidade de vida.


A antipsiquiatria é um movimento crítico em relação às práticas tradicionais da psiquiatria, questionando a visão conservadora da sociedade e da psiquiatria sobre a loucura. Ela critica as instituições que alienam os indivíduos e questiona os fundamentos da prática psiquiátrica e do poder médico. A antipsiquiatria promove uma abordagem mais humana, centrada na escuta e no respeito pelas experiências das pessoas em sofrimento emocional, em vez de adotar métodos medicalizantes e coercivos.


Para melhor cuidar do sofrimento emocional e das pessoas, é fundamental repensar a educação médica e mudar a forma como a sociedade percebe a loucura. Isso pode permitir a criação de novos modos de vida e uma abordagem mais respeitosa e libertária para lidar com questões de saúde mental.

Por Ana Luiza Faria

Comportamento alimentar

A compreensão da relação entre emoções e comportamento alimentar desempenha um papel fundamental na psicoterapia. Essa interligação complexa entre o mundo emocional de um indivíduo e seus padrões alimentares tem sido objeto de estudo e reflexão ao longo das décadas, e a abordagem psicodinâmica tem se mostrado particularmente eficaz em lançar luz sobre essa dinâmica intrincada.


A psicoterapia psicodinâmica, com suas raízes na teoria de Sigmund Freud, reconhece que as emoções desempenham um papel central na vida de uma pessoa. A teoria psicodinâmica postula que os seres humanos têm uma psique dividida em diferentes partes, sendo o inconsciente o local onde as emoções mais profundas, memórias e desejos residem. Portanto, a relação entre emoções e comportamento alimentar começa com a compreensão das emoções e conflitos inconscientes que influenciam nossas escolhas alimentares.


Emoções desempenham um papel duplo na regulação do comportamento alimentar. Por um lado, as emoções podem desencadear comportamentos alimentares específicos. Quando alguém está se sentindo estressado, ansioso ou deprimido, é comum recorrer a alimentos como uma forma de conforto ou alívio emocional. Isso é frequentemente chamado de "comer emocional". A comida, nesses casos, atua como uma maneira de lidar com sentimentos difíceis, preenchendo um vazio emocional temporário.


Por outro lado, as emoções também podem inibir o apetite e levar à perda de peso. Em situações de grande estresse, algumas pessoas podem perder o interesse pela comida, pois suas emoções dominam suas necessidades físicas. Esse fenômeno ressalta a complexidade da relação entre emoções e comportamento alimentar, pois as respostas individuais podem variar amplamente.


A abordagem psicodinâmica examina o papel das emoções e conflitos inconscientes na alimentação. Muitas vezes, as pessoas têm padrões alimentares específicos que estão enraizados em experiências emocionais passadas. Por exemplo, alguém que cresceu em um ambiente onde a comida era usada como recompensa ou punição pode desenvolver associações emocionais profundas com os alimentos. Essas associações podem ser inconscientes, o que significa que a pessoa pode não estar ciente de por que está se comportando de certa maneira em relação à comida.


A psicoterapia psicodinâmica busca explorar essas associações emocionais inconscientes, ajudando o paciente a compreender como suas emoções e experiências passadas influenciam seu comportamento alimentar atual. Isso envolve o processo de tornar conscientes os conflitos internos, memórias reprimidas e sentimentos profundos que podem estar ligados à comida. À medida que essas questões são trazidas à tona e compreendidas, o paciente tem a oportunidade de desenvolver uma relação mais saudável com a comida.


Outro aspecto importante da relação entre emoções e comportamento alimentar é a autoimagem. Muitas pessoas têm uma imagem distorcida de seus corpos, alimentada por pressões sociais e padrões de beleza irreais. Essa imagem distorcida pode ser intensificada por sentimentos de inadequação e baixa autoestima, que, por sua vez, afetam o comportamento alimentar. A psicoterapia psicodinâmica pode ajudar os pacientes a explorar essas questões de autoimagem, revelando como as emoções desempenham um papel na formação de uma relação negativa com a comida e o corpo.


Além disso, a relação entre emoções e comportamento alimentar não é estática. Ela evolui ao longo da vida de uma pessoa e pode ser influenciada por eventos traumáticos, mudanças de vida e experiências emocionais significativas. Portanto, a psicoterapia psicodinâmica é adaptável e flexível, permitindo que os psicólogos ajudem os pacientes a compreenderem e navegarem por essas mudanças ao longo do tempo.


A relação entre emoções e comportamento alimentar é intrincada e multifacetada. A abordagem psicodinâmica oferece um quadro valioso para compreender como as emoções, conflitos inconscientes e experiências passadas influenciam nossos padrões alimentares. Ao explorar essas conexões profundas, a psicoterapia psicodinâmica permite que os indivíduos desenvolvam uma relação mais saudável e consciente com a comida, promovendo o bem-estar emocional e físico.

Por Ana Luiza Faria

Sêneca

Sêneca, um dos mais proeminentes filósofos estoicos da Roma Antiga, desenvolveu uma filosofia prática que buscava simplificar a busca pela felicidade. Seus ensinamentos ainda são relevantes nos dias de hoje, oferecendo insights valiosos sobre como viver uma vida mais significativa e plena.

Para compreender a filosofia prática de Sêneca, é fundamental explorar alguns dos princípios fundamentais do estoicismo, a corrente filosófica à qual ele pertencia. O estoicismo, em sua essência, é uma filosofia que prega a importância do controle interno sobre as circunstâncias externas. Os estoicos acreditavam que a felicidade não dependia do que acontecia ao nosso redor, mas sim de como escolhíamos reagir a esses acontecimentos.


Sêneca compartilhava essa visão estoica da felicidade, mas ele a tornou ainda mais prática e acessível. Uma das principais maneiras pelas quais ele simplificou a busca pela felicidade foi através da ênfase na autodisciplina. Ele argumentava que a verdadeira liberdade vinha do autocontrole. Para Sêneca, a capacidade de dominar nossos desejos, paixões e impulsos era a chave para uma vida feliz. Ele escreveu extensamente sobre a importância de evitar excessos, seja na busca de prazeres sensoriais, riqueza material ou poder político. Em vez disso, ele recomendava uma vida de moderação e autocontenção.


Outro aspecto fundamental da filosofia prática de Sêneca era sua ênfase na aceitação da impermanência da vida. Ele acreditava que muitas das nossas angústias e sofrimentos surgem da nossa relutância em aceitar que tudo na vida é efêmero. Portanto, ele nos instigava a valorizar o presente, a viver o momento e a apreciar o que temos, em vez de nos preocuparmos com o que não podemos controlar.


Além disso, Sêneca promovia o conceito de "virtude" como o caminho para a felicidade. Para ele, a virtude não era apenas um ideal abstrato, mas uma orientação prática para a vida diária. Ele acreditava que a virtude estava intrinsecamente ligada à razão, e que agir de maneira virtuosa significava agir de acordo com a razão e a sabedoria. Isso implicava tratar os outros com bondade, justiça e compaixão, bem como ser honesto consigo mesmo e buscar constantemente o autoaperfeiçoamento.


Sêneca também tinha uma abordagem única em relação ao tempo e à paciência. Ele nos lembrava que a vida é curta e que o tempo é um recurso finito. Portanto, ele nos aconselhava a não desperdiçar nossa energia em preocupações fúteis e ansiedades, mas sim a concentrar nossa atenção no que era genuinamente importante.


A prática da filosofia de Sêneca envolvia a reflexão constante sobre a morte, não de uma maneira mórbida, mas como uma ferramenta para valorizar a vida. Ele acreditava que, ao lembrar constantemente da nossa mortalidade, poderíamos viver de maneira mais autêntica e significativa, priorizando o que realmente importa.


A filosofia prática de Sêneca simplificava a busca pela felicidade ao enfocar a autodisciplina, a aceitação da impermanência, a virtude, a valorização do presente e a reflexão sobre a mortalidade. Esses princípios atemporais continuam a oferecer orientação valiosa para aqueles que buscam uma vida mais feliz e significativa nos tempos modernos. Ao seguir os ensinamentos de Sêneca, podemos aprender a encontrar a felicidade não nas circunstâncias externas, mas dentro de nós mesmos, onde a verdadeira liberdade e alegria residem.

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