top of page
Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria


Descontruindo a velhice

Envelhecer é um processo que transcende meramente o avançar dos anos. É uma jornada de transformação interior, que nos convida a reavaliar nossas prioridades, perspectivas e identidade. Ao adentrarmos nessa fase da vida, somos confrontados com desafios emocionais e existenciais que nos obrigam a repensar quem somos e o que valorizamos.


A desconstrução da velhice não é apenas um ato de desmontar estereótipos e preconceitos associados ao envelhecimento. É também um convite para explorar as profundezas da nossa psique, revisitar experiências passadas e buscar significado em nossas vivências.


Ao questionarmos as narrativas sociais que envolvem a velhice, abrimos espaço para uma reflexão mais profunda sobre nossa própria identidade e propósito. Não se trata apenas de resistir aos estigmas e estereótipos negativos, mas sim de reconstruir uma narrativa pessoal que celebre as conquistas e sabedorias acumuladas ao longo dos anos.


Nesse processo, a saúde emocional desempenha um papel crucial. A aceitação de nossos próprios sentimentos e vulnerabilidades nos permite abraçar a plenitude da experiência humana, sem negar as dificuldades e dores que podem surgir. Ao cultivarmos uma relação compassiva conosco mesmos, encontramos a base para enfrentar os desafios da velhice com resiliência e integridade emocional.


Além disso, a busca por sentido de vida torna-se uma prioridade ainda mais premente. À medida que o tempo avança, somos confrontados com a finitude e a transitoriedade da existência. Encontrar significado em nossas ações e relações torna-se essencial para cultivar um senso de propósito e satisfação pessoal.


Desconstruir a velhice, portanto, é um convite para uma jornada de autoconhecimento e transformação. É uma oportunidade para explorar novas facetas de nossa identidade, fortalecer nossas relações e cultivar um sentido de vida que transcenda as limitações impostas pelo tempo. Na desconstrução, encontramos a liberdade para redefinir o que significa envelhecer e descobrir a riqueza e a profundidade que essa fase da vida pode oferecer.

Por Ana Luiza Faria

Ocupada

Muitas vezes, a vida nos apresenta desafios e obstáculos que parecem insuperáveis. Diante dessas situações, algumas pessoas recorrem a estratégias de enfrentamento que podem não ser as mais saudáveis. Uma delas é o hábito de se manterem ocupadas constantemente, mergulhando em atividades e responsabilidades como uma forma de evitar lidar com seus problemas internos. Essa abordagem pode proporcionar um alívio temporário, uma distração eficaz que os mantém afastados da agitação emocional que os assombra.


No entanto, essa ocupação constante pode se tornar uma armadilha perigosa. Ao focar exclusivamente em manter-se ocupado, essas pessoas acabam evitando confrontar suas emoções mais profundas e os problemas subjacentes que as afligem. É como se estivessem constantemente correndo em uma esteira, sem nunca enfrentar a verdadeira causa de sua inquietação interna.


A vida moderna, com sua constante demanda por produtividade e eficiência, muitas vezes recompensa esse comportamento ocupado. Ser visto como uma pessoa ocupada pode ser considerado um sinal de sucesso ou realização. No entanto, por trás dessa fachada de atividade frenética, muitas vezes se esconde uma sensação de vazio e desconforto emocional que nunca é plenamente abordada.


À medida que essas pessoas se esforçam para manter-se ocupadas, elas podem até mesmo desenvolver uma aversão à calma e ao silêncio. Quando finalmente se deparam com um momento de tranquilidade, longe da correria do dia a dia, é então que os sentimentos reprimidos começam a emergir. Medos não enfrentados, preocupações não resolvidas e emoções suprimidas começam a se manifestar, muitas vezes de forma avassaladora.


Esse ciclo de evitação e confronto pode criar um padrão autodestrutivo que perpetua o sofrimento emocional. Em vez de buscar soluções eficazes para seus problemas, essas pessoas se encontram presas em um ciclo interminável de ocupação e ansiedade. O medo do enfrentamento direto dos problemas se torna um obstáculo ainda maior do que os próprios problemas em si.


No entanto, há uma luz no fim do túnel. Reconhecer esse padrão de comportamento é o primeiro passo para a mudança. Ao invés de temer o silêncio e a calmaria, é preciso abraçá-los como oportunidades para a reflexão e o crescimento pessoal. Enfrentar os problemas de frente pode ser assustador, mas é o único caminho verdadeiro para a cura emocional e a paz interior.


Portanto, é importante encontrar um equilíbrio saudável entre a ocupação e a introspecção. Encontrar tempo para se reconectar consigo mesmo, para enfrentar os medos e preocupações de frente, é essencial para uma vida plena e significativa. Somente ao enfrentar os desafios internos podemos verdadeiramente encontrar a paz e o equilíbrio que buscamos.

Por Ana Luiza Faria

Fome Emocional

Fome emocional é um fenômeno complexo que transcende a mera busca por comida. Envolve uma interação complexa entre emoções e alimentação, muitas vezes desencadeada por diversos fatores psicológicos e sociais. A pessoa que experimenta a fome emocional pode sentir um vazio interno que busca preencher com alimentos, mesmo quando não está fisicamente com fome.


Esse tipo de fome pode ser desencadeado por uma variedade de emoções, como estresse, tédio, solidão, tristeza ou ansiedade. Quando confrontados com essas emoções desconfortáveis, muitas pessoas recorrem à comida como uma forma de conforto temporário. A comida pode servir como uma distração ou uma maneira de lidar com sentimentos difíceis.


No entanto, a comida raramente resolve as verdadeiras fontes de desconforto emocional. Após o consumo, muitas vezes a pessoa pode se sentir ainda mais emocionalmente vazia ou culpada, o que pode levar a um ciclo contínuo de comer emocionalmente para tentar aliviar esses sentimentos.


É importante reconhecer os sinais de fome emocional para desenvolver estratégias saudáveis para lidar com as emoções subjacentes. Isso pode envolver aprender a identificar e tolerar emoções desconfortáveis sem recorrer à comida, desenvolver habilidades de enfrentamento eficazes e cultivar uma maior consciência emocional.


Além disso, buscar apoio de um profissional de saúde mental pode ser fundamental para compreender e abordar os padrões de comportamento alimentar emocional. Um psicólogo pode ajudar a explorar as causas subjacentes da fome emocional e desenvolver estratégias personalizadas para lidar com ela de maneira mais saudável.


É importante lembrar que a fome emocional não é uma fraqueza moral, mas sim um padrão de comportamento aprendido que pode ser desafiador de mudar. Ao reconhecer e aceitar a presença da fome emocional, é possível começar a trabalhar em direção a uma relação mais saudável com a comida e com as próprias emoções.


Aprender a distinguir entre fome física e emocional pode ser um primeiro passo importante. A fome física tende a se desenvolver gradualmente ao longo do tempo e geralmente está associada a sinais físicos, como estômago roncando ou fraqueza. Por outro lado, a fome emocional pode surgir repentinamente e estar mais ligada a um desejo específico por certos alimentos.


Ao cultivar uma maior consciência de nossos padrões de alimentação e emoções, podemos começar a desenvolver uma relação mais equilibrada e saudável com a comida. Isso pode envolver aprender a nutrir nosso corpo não apenas fisicamente, mas também emocionalmente, buscando outras formas de conforto e apoio além da comida.

Site criado e administrado por: Ana Luiza Faria | Ponto Psi
Since: ©2022

bottom of page