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Escritos, artigos e catarses

Por: Ana Luiza Faria

Marcas

As marcas emocionais que carregamos ao longo da vida são testemunhos visíveis de nossa jornada única e complexa. Cada experiência deixa uma impressão em nossa psique, mas é vital compreender que essas marcas não são destinos fixos, e sim reflexos de nossa incrível capacidade de adaptação e superação.


Estas marcas, longe de serem feridas permanentes, são registros de nossa resiliência diante das variadas situações que enfrentamos. Em vez de nos definirem de maneira limitante, elas moldam a complexidade de quem somos, oferecendo-nos a oportunidade de aprender e crescer ao longo do tempo.


Ao encararmos as marcas emocionais como parte integrante de nossa história, permitimos a nós mesmos a chance de entender e aceitar o impacto que experiências passadas tiveram em nosso presente. Assim como um diário que registra nossas vivências, essas marcas contam a história de nossa jornada emocional, marcada por altos e baixos, mas sempre em constante evolução.


À medida que o tempo avança, desenvolvemos meios internos de lidar com as adversidades, assim como o corpo se adapta a diferentes condições. Não se trata de apagar ou ignorar, mas sim de reconhecer que cada marca emocional é uma peça essencial na construção de quem somos.


A busca por compreensão e aceitação dessas marcas não deve ser apressada, pois assim como a natureza segue seu curso, nosso processo de cicatrização emocional requer paciência e autocompaixão. Cada pequeno passo que damos nesse caminho contribui para nossa evolução interior, guiando-nos em direção a uma compreensão mais profunda de nós mesmos.


Portanto, ao invés de encarar as marcas emocionais como fardos a serem carregados, reconheçamos nelas evidências de uma jornada rica e singular. Uma jornada que nos desafia a transcender as adversidades, transformando as marcas emocionais em fontes de força e sabedoria. Dessa forma, somos convidados a abraçar nossa própria humanidade, aceitando que as marcas emocionais não nos limitam, mas sim revelam nossa notável capacidade inata de cicatrização e crescimento.

Por: Ana Luiza Faria

Tecnologia X Idosos

Vivemos em uma era marcada pela acelerada evolução tecnológica, transformando significativamente a forma como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. No entanto, é imperativo compreender o impacto dessa revolução digital na saúde mental dos idosos, uma população frequentemente negligenciada nesse cenário. Nesse contexto buscaremos explorar os desafios e benefícios que a tecnologia apresenta para o bem-estar psicológico dos mais velhos.


Os desafios são inegáveis e não devem ser subestimados. Muitos idosos, criados em uma era pré-digital, enfrentam dificuldades ao se adaptar a dispositivos eletrônicos e às plataformas online. A exclusão digital pode levar à sensação de isolamento social, à medida que o mundo ao redor se torna cada vez mais interconectado digitalmente. A falta de familiaridade com a tecnologia pode gerar frustração, ansiedade e até mesmo um sentimento de inadequação, impactando negativamente a autoestima desses indivíduos.


Além disso, a rapidez com que as informações são transmitidas pode sobrecarregar os idosos, muitas vezes resultando em uma sensação de alienação diante das mudanças sociais e culturais. O abismo geracional pode se tornar mais pronunciado, exacerbando a sensação de desconexão e marginalização. A pressão para se adaptar a um ambiente digital pode desencadear quadros de estresse, desencadeando sintomas de ansiedade e depressão.


Entretanto, é essencial reconhecer que a tecnologia também oferece uma série de benefícios aos idosos, proporcionando oportunidades de socialização, aprendizado e entretenimento. As plataformas de mídia social, por exemplo, permitem que eles se conectem com amigos e familiares, promovendo um senso de comunidade virtual. Essa interação online pode mitigar a solidão, fornecendo uma rede de apoio crucial.


Além disso, a tecnologia contribui para a educação continuada, permitindo que os idosos explorem interesses e adquiram novos conhecimentos no conforto de seus lares. Jogos eletrônicos projetados para essa faixa etária não apenas oferecem estímulo cognitivo, mas também são uma forma divertida de manter a mente ativa.

No contexto da saúde mental, aplicativos e dispositivos conectados proporcionam monitoramento e suporte contínuo, permitindo o acompanhamento de condições crônicas e a promoção de um envelhecimento saudável. A telemedicina, por exemplo, facilita o acesso a profissionais de saúde, eliminando barreiras geográficas e promovendo uma abordagem proativa à saúde.


O impacto da tecnologia na saúde mental dos idosos é complexo, com desafios e benefícios entrelaçados. Nessa equação delicada, é fundamental considerar a individualidade de cada idoso, reconhecendo que a adoção da tecnologia não é universalmente positiva ou negativa. A abordagem cuidadosa e sensível a essas nuances pode ser fundamental para maximizar os benefícios e mitigar os desafios, promovendo um envelhecimento saudável e integrado à era digital.

Por Ana Luiza Faria

Riqueza invisíveis

Vivemos em uma busca incessante por conquistas e realizações, sonhando com o que parece inalcançável. Desejamos uma casa, uma família, uma carreira de sucesso, sem compreender completamente o significado dessas aspirações. No entanto, quando finalmente conseguimos alcançar esses objetivos, é comum nos perdermos nas complexidades do cotidiano, esquecendo-nos de apreciar o presente que, um dia, foi apenas um sonho distante.


Às vezes, conquistar o que desejamos pode nos levar a encarar nossas realizações como fardos, em vez de dádivas. A casa tão almejada torna-se um peso quando reclamamos das tarefas rotineiras, esquecendo-nos de que, para muitos, ter um lar é apenas um sonho distante. Os filhos, frutos de um desejo profundo, podem ser vistos como fonte de preocupações, quando, na verdade, são a manifestação tangível do amor e da continuidade da vida.


Refletir sobre a transformação de nossos sonhos em realidade é essencial para reconhecer a abundância que muitas vezes negligenciamos. Cada conforto em nosso lar, cada instante de paz, deve ser encarado como um presente que, por um tempo, existia apenas em nossos pensamentos mais otimistas. O banho quente, que agora parece trivial, é um luxo para aqueles que ainda sonham com um mínimo de comodidade.


É fácil cair na armadilha de reclamar do que antes tanto desejávamos. No entanto, ao fazer isso, perdemos a chance de saborear as delícias da vida cotidiana. A consciência de que nossas conquistas foram obtidas com esforço e determinação é a chave para não tratar nossos privilégios como fardos. Negar a nós mesmos a alegria de apreciar o lar aconchegante, o banho quente e outras dádivas que agora fazem parte do nosso dia a dia é desperdiçar a oportunidade de valorizar verdadeiramente as bênçãos que a vida nos concedeu.


Contudo, ao permitir que as queixas obscureçam a beleza do presente, corremos o risco de transformar o que conquistamos em um fardo insuportável. O lar, que um dia foi apenas um desejo ardente, torna-se um território de reclamações sem fim. A família, que representava a essência de nossos sonhos, é muitas vezes reduzida a uma série de responsabilidades irritantes.


É crucial lembrar que a vida é repleta de ironias, e aquilo que ansiamos arduamente pode, com o tempo, ser encarado com indiferença. É necessário cultivar uma perspectiva que transcenda a superficialidade das queixas diárias e nos faça enxergar o extraordinário no ordinário.


Valorizar as conquistas não significa ignorar as dificuldades, mas sim reconhecer que até mesmo os obstáculos são testemunhas da jornada única que cada um de nós percorre. Portanto, que possamos redescobrir a maravilha nas pequenas coisas, no calor do lar, na simplicidade de um banho quente, e nos desafios que moldam a nossa jornada.


Ao fazermos isso, não apenas celebramos nossas realizações, mas também cultivamos uma apreciação mais profunda pelo caminho que percorremos. Que nossos sonhos, uma vez distantes horizontes, não se percam nas reclamações do cotidiano, mas floresçam como lembranças vivas de uma jornada singular e extraordinária.

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