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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

A busca pelo equilibrio

A vida, por sua própria natureza, é um equilíbrio delicado entre opostos aparentemente inconciliáveis. "Sustentar a vida entre as belezas e os infernos" é um convite para aprofundar nossa compreensão sobre a complexidade humana, explorando os desafios e as maravilhas que permeiam nossa existência.


Na jornada da vida, somos constantemente confrontados com uma dualidade intrigante. De um lado, temos as belezas, representadas pelos momentos de alegria, amor, realização e encanto. São como raios de sol que iluminam nosso caminho, nos lembrando da capacidade humana de experimentar felicidade e êxtase. Esses são os momentos que nutrem nossa alma, nos fazem sentir vivos e conectados ao mundo ao nosso redor.


No entanto, a vida não seria completa sem o contraponto dos infernos. Esses são os desafios, as adversidades, as dores que todos, em algum momento, enfrentamos. São as sombras que pairam sobre nós, lançando dúvidas, medos e tristezas. Os infernos podem se manifestar de várias formas, seja através de perdas, fracassos, relacionamentos tumultuados ou questões existenciais que nos confrontam com nossa própria vulnerabilidade.


A compreensão profunda dessa relação complexa entre forças opostas sugere que, muitas vezes, o que está por trás das belezas e dos infernos são aspectos profundos da psique humana. Conflitos não resolvidos, padrões inconscientes, feridas emocionais que carregamos desde a infância podem moldar a maneira como enfrentamos tanto as alegrias quanto as tristezas da vida. Nesse sentido, entender as raízes psicológicas dessas experiências pode lançar luz sobre nossa capacidade de sustentar a vida de maneira mais plena e consciente.


A jornada de sustentar a vida entre esses extremos exige autoconhecimento e coragem. Significa olhar para dentro, para os recantos sombrios da psique, e confrontar as partes de nós mesmos que podem estar contribuindo para os desafios que enfrentamos. Ao mesmo tempo, requer aceitação e apreciação pelas belezas que permeiam nossos dias, cultivando uma gratidão que pode iluminar até mesmo os momentos mais sombrios.


A busca pelo equilíbrio entre as belezas e os infernos não é uma tarefa fácil, mas é fundamental para uma vida plena. À medida que exploramos as profundezas de nossa psique, podemos aprender a transformar os infernos em oportunidades de crescimento e os momentos de beleza em fontes de inspiração duradoura. Afinal, é nesse delicado equilíbrio que descobrimos a verdadeira riqueza e complexidade da experiência humana.

Por Ana Luiza Faria

Criança empinando pipa

A infância, muitas vezes comparada à fundação de um edifício, representa o terreno fértil onde as sementes de nossa personalidade são plantadas e começam a florescer. À medida que celebramos o dia da criança, é oportuno refletir sobre como esses primeiros anos desempenham um papel crítico na construção da estrutura fundamental de quem somos, moldando nossas crenças, valores e comportamentos. A analogia com a base de um edifício destaca a importância dessa fase inicial, que não apenas sustenta nossa existência, mas também influencia profundamente os alicerces de nossa identidade.


Ao aproveitarmos a data de comemoração ao dia da criança, somos convidados a explorar não apenas as lembranças nostálgicas, mas a reconhecer a relevância contínua da infância em nossas vidas. É como se esses primeiros anos contivessem as sementes de nossas características mais intrínsecas, germinando ao longo dos anos e moldando a forma como navegamos pelo mundo em nossa vida adulta. Cada interação, cada descoberta, contribui para a construção dessa base sólida.


Explorar nossas experiências infantis vai além de uma mera jornada nostálgica. É uma incursão no cerne de nossa própria psique, revelando padrões que muitas vezes passam despercebidos em nossa vida cotidiana. Esses padrões, como as vigas de sustentação de um edifício, podem influenciar nossa maneira de lidar com desafios, relacionar-nos com os outros e compreender o significado mais profundo de nossas escolhas.


A infância não é apenas um ponto de partida, mas uma fonte contínua de sabedoria e compreensão sobre nós mesmos. À medida que crescemos, carregamos conosco as impressões indeléveis dessa fase formadora, como marcas na argamassa que une os tijolos de nossa identidade. A exploração consciente dessas memórias não é apenas uma jornada ao passado, mas uma busca ativa por autoconhecimento, oferecendo-nos valiosos insights que podem orientar nossas escolhas e ações no presente e no futuro.


Assim como a arquitetura de um edifício é intricada e planejada com precisão, nossa personalidade é construída com base em uma série de eventos e interações que ocorreram durante a infância. Cada tijolo de experiência contribui para a estrutura final, criando uma obra única e complexa. Ao compreendermos esses elementos fundamentais, não apenas ganhamos uma apreciação mais profunda de quem somos, mas também cultivamos a capacidade de remodelar conscientemente nossa própria estrutura interior, construindo um caminho para um crescimento contínuo e uma compreensão mais rica da complexidade humana.

Por Ana Luiza Faria

O estranho que habita em nós

A frase "Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim" encapsula uma profunda reflexão sobre a natureza individual da existência e a responsabilidade pessoal diante da vida. Ela reflete a ideia de que cada pessoa é responsável por si mesma, incluindo todos os aspectos internos que compõem sua identidade.


Álvaro de Campos, um dos heterônimos criados por Fernando Pessoa, expressa essa ideia de forma poética em sua obra "Tabacaria". Ao adotar a perspectiva de se aguentar consigo mesmo e com os diferentes aspectos de sua própria personalidade, a frase sugere uma aceitação radical da autenticidade e complexidade do eu.


Lembrei-me de uma das tirinhas da Mafalda que diz "justo a mim me coube ser eu", que reforça justamente essa ideia de que cada pessoa é única e confronta com a singularidade de sua própria existência. Não se trata apenas de aceitar a si mesmo, mas de reconhecer que a responsabilidade pela própria vida não pode ser transferida para outros. Cada indivíduo enfrenta os desafios de sua própria identidade e deve lidar com as nuances e contradições inerentes a ela.


A conexão com a psicoterapia é destacada ao afirmar que o processo terapêutico é destinado a quem não consegue mais suportar a carga de existir sozinho. O processo psicoterápico na abordagem psicodinâmica busca explorar o inconsciente do indivíduo, ajudando-o a compreender e lidar com seus conflitos internos. A frase sugere que, em algum momento da jornada pessoal, a necessidade de autoconhecimento e compreensão interna pode se tornar esmagadora, e é nesse ponto que a psicoterapia pode desempenhar um papel crucial.


A vida é apresentada como uma "tarefa intransferível", destacando que não é possível delegar a responsabilidade pela própria existência a terceiros. Cada um deve encarar seus desafios internos e externos, aceitar sua singularidade e, se necessário, buscar ajuda, como na psicoterapia, para lidar com os aspectos mais profundos e complexos de sua psique.


Em última análise, a frase reflete a ideia de que a jornada individual é única e que a verdadeira compreensão de si mesmo é uma conquista pessoal intransferível. Essa frase encapsula, assim, a essência da jornada psicoterapêutica, é um chamado para a autossuficiência emocional, um convite para enfrentar as complexidades internas com coragem e autenticidade. No coração desse desafio está a promessa de uma transformação profunda, onde o paciente emerge não apenas aguentando a si mesmo, mas integrando os múltiplos "comigos" de sua própria existência.

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