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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

A jornada pelo processo de psicoterapia é como explorar um terreno desconhecido da própria mente. Inicialmente, é como entrar em uma sala escura cheia de lembranças, emoções e pensamentos enterrados. Essa fase inicial, de certa forma, assemelha-se à demolição, onde os alicerces desconfortáveis do passado são cuidadosamente desmontados.


A presença do psicólogo nesse processo é como ter um guia sábio ao lado, alguém que fornece a luz necessária para iluminar as áreas mais sombrias. Este facilitador habilidoso não apenas ajuda a identificar os escombros emocionais, mas também auxilia na compreensão das origens desses obstáculos psicológicos.


Ao longo das sessões, emerge uma narrativa mais clara e aberta. O paciente começa a reconhecer padrões de pensamento e comportamento que antes estavam escondidos nas sombras. Este é um ponto crucial na jornada, onde a construção começa a ganhar forma. O psicólogo atua como um arquiteto, orientando o paciente na construção de uma nova compreensão de si mesmo e do mundo ao seu redor.


Esse processo não é linear, e há momentos de desconforto à medida que as estruturas antigas cedem lugar a algo novo. O psicólogo, como um habilidoso construtor de pontes, auxilia o paciente a atravessar as lacunas entre o que foi e o que está por vir. A confiança mútua estabelecida no ambiente terapêutico permite que o paciente se arrisque a experimentar perspectivas e comportamentos alternativos.


À medida que a construção avança, o paciente se torna mais equipado para lidar com os desafios da vida cotidiana. Eles desenvolvem habilidades de enfrentamento mais saudáveis, aprendem a navegar pelas complexidades das relações interpessoais e descobrem maneiras de gerenciar emoções de forma mais eficaz. Esse crescimento não é uma conquista única, mas um processo contínuo de aprimoramento.


A psicoterapia, assim, não é apenas um exercício de cura; é uma jornada de descobertas constantes. O psicólogo, ao longo do tempo, torna-se um catalisador para o florescimento pessoal, auxiliando o paciente na construção de uma base sólida para o futuro. Este processo não termina abruptamente, mas continua a evoluir à medida que o paciente se torna mais resiliente e capaz de enfrentar os altos e baixos da vida com uma perspectiva renovada.

Por Ana Luiza Faria

Ilustração de um idoso chorando

A terceira idade é uma fase da vida que traz consigo uma série de desafios e mudanças, tanto físicas quanto psicológicas. Uma das questões mais delicadas que podem afetar os idosos é a depressão. Os sinais de depressão na terceira idade muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com os aspectos naturais do envelhecimento. No entanto, é fundamental reconhecer esses sinais para que o paciente possa receber o apoio e o tratamento adequados por parte do psicólogo.


Os idosos enfrentam uma série de fatores de risco para o desenvolvimento da depressão. O isolamento social é um dos principais, à medida que a rede de suporte social muitas vezes se reduz com a idade. A perda de entes queridos, a aposentadoria e a diminuição da independência física também podem desencadear sentimentos de tristeza e desesperança. Além disso, questões de saúde, como doenças crônicas e dores crônicas, podem contribuir para o quadro depressivo.


Os sintomas da depressão na terceira idade podem variar de pessoa para pessoa, mas existem alguns sinais comuns a serem observados. Um dos indicadores mais evidentes é a tristeza persistente, que pode ser acompanhada por sentimentos de desesperança e desamparo. O paciente pode relatar uma perda significativa de interesse em atividades que antes eram prazerosas, como hobbies e interações sociais.


A alteração no sono é outro sintoma frequente. O paciente idoso pode experimentar dificuldades para dormir, insônia ou, inversamente, passar a maior parte do dia na cama. Mudanças no apetite e no peso também são comuns, podendo levar a uma perda ou ganho de peso significativo.


A fadiga e a diminuição da energia são sintomas frequentes da depressão na terceira idade. O paciente pode se sentir constantemente cansado, mesmo após um longo período de repouso. Isso pode afetar sua capacidade de realizar tarefas diárias e comprometer sua qualidade de vida.


Outro aspecto importante a ser considerado é a cognição. A depressão na terceira idade pode estar associada a dificuldades de concentração e memória. O paciente pode se queixar de esquecimentos frequentes e de dificuldades em manter o foco em atividades cotidianas.


Além dos sintomas emocionais e cognitivos, a depressão na terceira idade também pode manifestar-se de forma física. Dores crônicas e queixas somáticas, como dores de cabeça e no corpo, são comuns. É importante ressaltar que essas queixas podem ser uma expressão do sofrimento psicológico do paciente.


A depressão na terceira idade também aumenta o risco de outros problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e comprometimento do sistema imunológico. Portanto, é crucial que os psicólogos estejam atentos aos sinais de depressão em seus pacientes idosos e intervenham de maneira adequada.


O tratamento da depressão na terceira idade pode ser desafiador, uma vez que os idosos podem ter receio de buscar ajuda ou podem não reconhecer seus próprios sintomas. Além disso, a presença de condições médicas coexistentes pode complicar o quadro clínico. No entanto, a psicoterapia, em conjunto com outras abordagens terapêuticas quando necessário, pode ser altamente eficaz.


O psicólogo pode utilizar diferentes técnicas terapêuticas, adaptadas às necessidades do paciente idoso. A escolha das abordagens terapêuticas deve ser baseada na avaliação clínica individual do paciente, levando em consideração suas necessidades específicas e preferências.


Os sinais de depressão na terceira idade são uma questão séria que requer atenção e intervenção adequadas por parte do psicólogo. Reconhecer os sintomas e oferecer tratamento adequado pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos idosos e ajudá-los a enfrentar os desafios emocionais que essa fase da vida pode trazer. É fundamental abordar a depressão na terceira idade com empatia, compreensão e tratamento personalizado.

Por Ana Luiza Faria

Cabeça trabalhando

O mundo contemporâneo é um ambiente de constante mudança, onde o trabalho desempenha um papel central na vida das pessoas. A maneira como os pacientes experimentam e lidam com as complexidades do trabalho é um tema crucial na prática do psicólogo, que busca compreender as dinâmicas subjacentes que moldam as experiências laborais e como essas experiências afetam a saúde mental e emocional dos pacientes.


No âmago da psicodinâmica do trabalho está a compreensão de que o trabalho não é apenas uma atividade econômica, mas também uma parte fundamental da identidade de um indivíduo. A forma como uma pessoa se vê no contexto de seu trabalho, as expectativas que têm em relação a si mesmas e aos outros no ambiente de trabalho e as interações que ocorrem no cenário laboral desempenham um papel significativo na construção da autoimagem e na saúde psicológica.


Uma das áreas de interesse da psicoterapia é explorar as influências inconscientes que moldam as escolhas de carreira dos pacientes. Muitas vezes, as decisões sobre a escolha de uma profissão são influenciadas por fatores inconscientes, como desejos, medos, expectativas parentais e experiências de infância. O psicólogo ajuda o paciente a investigar essas influências ocultas, permitindo que eles compreendam melhor por que escolheram determinado caminho profissional e como isso pode estar relacionado às suas necessidades psicológicas.


Além disso, a psicodinâmica do trabalho também se concentra nas dinâmicas interpessoais no ambiente de trabalho. Conflitos, competições, relações de poder e questões de autoridade podem desencadear emoções intensas e muitas vezes inconscientes nos pacientes. O psicólogo auxilia o paciente a explorar essas dinâmicas, ajudando-os a identificar padrões de comportamento repetitivos e a desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com essas situações desafiadoras.


A ansiedade relacionada ao trabalho é um tema recorrente na psicoterapia. Muitos pacientes enfrentam preocupações constantes sobre desempenho, segurança no emprego, conciliação entre vida profissional e pessoal e expectativas dos superiores. Essas preocupações podem ter raízes profundas em experiências passadas, como traumas de empregos anteriores ou expectativas familiares não atendidas. O psicólogo trabalha com o paciente para explorar essas ansiedades, identificar gatilhos específicos e desenvolver estratégias para enfrentá-los de forma mais eficaz.


A psicodinâmica do trabalho também aborda a questão do esgotamento profissional, conhecido como "burnout". O burnout é frequentemente resultado da exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização no trabalho. O psicólogo ajuda o paciente a reconhecer os sinais de burnout e a explorar suas causas subjacentes, que podem incluir uma desconexão entre os valores pessoais e as demandas do trabalho, além de expectativas irreais sobre si mesmos.


A psicodinâmica do trabalho é uma abordagem que busca compreender como o trabalho influencia a psique do paciente e vice-versa. Ela reconhece que o trabalho não é apenas uma atividade externa, mas uma parte intrincada da experiência humana, cheia de complexidades psicológicas. Ao explorar as influências inconscientes, as dinâmicas interpessoais e as ansiedades relacionadas ao trabalho, o psicólogo ajuda o paciente a desenvolver uma compreensão mais profunda de si mesmo e a encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com os desafios do mundo profissional.

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