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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

Abraço ao vazio

A jornada da vida humana é frequentemente caracterizada por uma busca incessante por significado, propósito e realização. Os pacientes que buscam a orientação de um psicólogo muitas vezes estão imersos em uma exploração complexa do eu, enfrentando um vazio existencial que parece insaciável. Este vazio é um tema central na psicoterapia psicodinâmica, que se concentra na compreensão das profundezas da psique humana, nas camadas mais intrincadas da mente que muitas vezes não são prontamente acessíveis à consciência.


No âmago desse vazio existencial reside uma sensação de desconexão, de falta de integridade. O paciente pode se sentir dividido, como se partes de si mesmo estivessem em conflito, em luta constante. Essa divisão interna pode se manifestar de muitas maneiras, desde conflitos de identidade até conflitos interpessoais. É como se o paciente estivesse em busca de um quebra-cabeça que, quando montado, revelaria a imagem completa de quem eles são e o que desejam na vida.


Essa busca pela totalidade muitas vezes começa na infância, quando as experiências iniciais moldam a maneira como vemos a nós mesmos e o mundo ao nosso redor. Feridas emocionais, traumas e conflitos não resolvidos podem criar lacunas em nossa compreensão de nós mesmos, levando a uma sensação de vazio. O psicólogo, como guia nessa jornada, ajuda o paciente a explorar essas experiências precoces, desenterrando as raízes do vazio existencial.


No processo psicoterapêutico, o paciente pode descobrir que partes de si mesmo foram reprimidas ou negadas como uma forma de adaptação às circunstâncias da vida. Essas partes reprimidas podem conter desejos não realizados, sonhos abandonados e emoções não expressas. O trabalho do psicólogo é criar um espaço seguro e acolhedor onde o paciente possa reconectar-se com essas partes perdidas, integrando-as à sua consciência.


No entanto, essa jornada não é fácil. Enfrentar o vazio existencial requer coragem, paciência e autoconsciência. O psicólogo atua como um espelho, refletindo de volta para o paciente os aspectos ocultos de sua psique. À medida que o paciente explora esses territórios desconhecidos, ele pode encontrar resistência e enfrentar emoções dolorosas. É um processo desafiador, mas é através desse confronto que a cura e a integração podem ocorrer.


O vazio existencial também está intimamente relacionado à busca de significado. Muitos pacientes se perguntam sobre o propósito de suas vidas e anseiam por uma sensação de significado mais profundo. Nesse contexto, o psicólogo pode ajudar o paciente a examinar suas crenças, valores e aspirações, questionando padrões de pensamento e comportamento que podem estar impedindo a descoberta de um propósito autêntico.


À medida que o processo psicoterapêutico avança, o paciente começa a perceber que a busca da totalidade não é uma busca pela perfeição, mas sim uma busca pela aceitação completa de quem eles são. É entender que todas as partes do eu, mesmo as imperfeições, têm um lugar legítimo na construção da identidade. É encontrar um equilíbrio entre a busca de crescimento pessoal e a aceitação da natureza humana imperfeita.


Em última análise, a jornada em direção à totalidade e a exploração do vazio existencial na psicoterapia psicodinâmica são processos profundamente pessoais e individuais. Cada paciente traz uma história única, uma coleção única de experiências e uma busca única pela realização. O psicólogo desempenha o papel de facilitador nessa jornada, oferecendo apoio, insights e orientação, mas é o paciente que faz a verdadeira viagem em direção à totalidade, descobrindo a riqueza de sua própria psique e, no processo, encontrando significado e integração em suas vidas.

Por Ana Luiza Faria

Paisagem do Brasil antes de ser colonizado

O feriado de 7 de setembro, comemorado como o Dia da Independência no Brasil, carrega consigo um significado profundo em nossa história. É uma data que nos remete à conquista da liberdade e da soberania nacional, marcos fundamentais para a construção de nossa identidade como nação.


No entanto, ao observar o contexto atual, não posso deixar de refletir sobre como estamos gradualmente perdendo alguns dos valores que essa data representa. Em meio a avanços tecnológicos, mudanças políticas e sociais, é crucial questionar se ainda desfrutamos plenamente da liberdade e da soberania que nossos antepassados conquistaram com tanto sacrifício.


A liberdade vai além de não sermos subjugados por forças externas; ela também envolve a capacidade de expressar nossas opiniões, de sermos quem somos sem medo de repressões, de construirmos nosso próprio caminho. No entanto, vemos crescentes limitações à nossa liberdade de expressão, censura disfarçada de discurso de ódio, e um ambiente em que a polarização política muitas vezes nos impede de alcançar consensos construtivos.


Além disso, a soberania de um país está intrinsecamente ligada à sua capacidade de tomar decisões autônomas em questões internas e externas. No entanto, nos deparamos com desafios crescentes à nossa soberania, seja através de pressões econômicas externas, de acordos internacionais que limitam nossa autonomia ou da dependência de tecnologias estrangeiras que podem ameaçar nossa segurança nacional.


É essencial que, neste 7 de setembro, reflitamos sobre essas questões críticas. Precisamos reafirmar nosso compromisso com a liberdade, a soberania e a construção de um futuro em que esses valores sejam verdadeiramente preservados. Isso envolve o diálogo, o respeito às diferenças e o exercício ativo de nossos direitos cívicos.


A independência que celebramos não é apenas um evento do passado, mas um princípio que deve ser nutrido e defendido a cada dia. É nosso dever como cidadãos assegurar que as gerações futuras possam desfrutar plenamente dos frutos dessa independência, mantendo viva a chama da liberdade e da soberania em nossa nação.

Por Ana Luiza Faria

Ilustração rosto Sándor Ferenczi

Sándor Ferenczi, um dos pioneiros da psicanálise, ampliou a compreensão de como os traumas podem afetar a psique humana ao desenvolver a teoria dos "Três Tempos do Trauma". Essa abordagem única e perspicaz explora as diferentes fases que uma pessoa atravessa durante o processo de lidar e curar os efeitos traumáticos. Cada fase representa um marco crucial na trajetória de cura, permitindo que o indivíduo recupere gradualmente o equilíbrio mental e emocional.


O primeiro tempo do trauma é o "tempo do acontecimento". Nesse estágio, a pessoa experimenta o evento traumático em si, muitas vezes de maneira avassaladora. O impacto emocional e psicológico é profundo, e a pessoa pode se sentir imobilizada pela intensidade das emoções negativas. Esse é o momento de choque e incredulidade, onde a realidade parece distorcida e difícil de aceitar. O trauma é vivido repetidamente através de flashbacks e pesadelos, e a pessoa pode experimentar uma despersonalização dolorosa.


O segundo tempo é o "tempo da repetição". Aqui, a pessoa revive o trauma de maneiras que podem ser menos diretas, mas igualmente avassaladoras. Essa fase é marcada por comportamentos e relacionamentos que ecoam os padrões traumáticos originais. A repetição pode ocorrer inconscientemente, como se a pessoa estivesse tentando encontrar uma resolução para o trauma através da recriação das circunstâncias traumáticas. Isso pode levar a ciclos de autodestruição, relacionamentos abusivos ou escolhas de vida prejudiciais.


O terceiro tempo é o "tempo da elaboração". Nesta fase, a pessoa começa a enfrentar o trauma de maneira mais direta. Através da terapia e do autoconhecimento, ela explora as emoções profundas associadas ao evento traumático e começa a trabalhar para integrar essas experiências em sua identidade. Esse é um processo doloroso, mas crucial, onde a pessoa ganha uma nova perspectiva sobre o trauma e suas implicações em sua vida. Ela começa a quebrar os padrões de repetição e a construir estratégias saudáveis ​​para lidar com as emoções.


É importante reconhecer que os "Três Tempos do Trauma" de Ferenczi não são necessariamente uma sequência linear e rígida. As fases podem se sobrepor, e as pessoas podem avançar e retroceder entre elas. A jornada de cura do trauma é profundamente individual e complexa, variando de pessoa para pessoa.


Em última análise, a teoria dos "Três Tempos do Trauma" de Ferenczi oferece uma lente valiosa para entender o processo de cura após experiências traumáticas. Ela nos lembra que a recuperação não é um caminho linear, mas sim uma jornada cheia de altos e baixos, avanços e retrocessos. Ao compreender e respeitar esses tempos, os psicólogos e as pessoas em processo de cura podem abordar o trauma de maneira mais compassiva e eficaz, pavimentando o caminho para a reconstrução de uma vida emocional saudável e significativa.

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