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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

Fotografia de um pão caseiro rústico recém-assado, com crosta dourada e textura levemente crocante, sobre tábua de madeira clara, com farinha espalhada, iluminação natural suave, estilo culinária profissional.
© Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.

Um pão caseiro macio e levemente crocante, ideal para quem busca uma alimentação sem glúten e sem lactose. Rico em carboidratos de fácil digestão, fornece energia sustentável e é versátil para diversas preparações. O uso de farinhas sem glúten e leite vegetal torna a receita leve, nutritiva e adequada para dietas restritivas. Fica delicioso fatiado, tostado ou em sanduíches, e pode ser congelado sem perder sabor.


✅ Rende: 1 pão médio (forma de bolo inglês 22x10 cm)

⏱️ Tempo total: 1h20 (inclui crescimento da massa)


Ingredientes Pão sem glúten lactose

  • 2 xícaras (chá) de mix de farinha sem glúten

  • 1/2 xícara (chá) de amido de milho

  • 1/2 xícara (chá) de polvilho doce

  • 2 colheres (sopa) de açúcar demerara

  • 1 colher (chá) de sal

  • 1 sachê (10 g) de fermento biológico seco

  • 2 ovos

  • 1/4 xícara (chá) de óleo vegetal (ou azeite leve)

  • 1 xícara (chá) de leite vegetal morno (coco, amêndoas, arroz ou aveia sem glúten)


Modo de preparo  Pão sem glúten lactose

  1. Em uma tigela, misture as farinhas (mix, amido e polvilho), o açúcar e o sal.

  2. Em um copo, dissolva o fermento biológico em 1/3 de xícara do leite vegetal morno. Deixe descansar por 5 minutos até espumar.

  3. No bowl das farinhas, adicione os ovos, o óleo e a mistura do fermento.

  4. Acrescente o restante do leite vegetal aos poucos, até formar uma massa espessa e pegajosa (não é de sovar, parece massa de bolo mais firme).

  5. Transfira para uma forma de bolo inglês untada com óleo e polvilhada com farinha sem glúten.

  6. Cubra com um pano limpo e deixe descansar por 40–60 minutos, até quase dobrar de volume.

  7. Leve ao forno pré-aquecido a 180 °C e asse por 35–40 minutos, até dourar bem por cima.

  8. Espere esfriar antes de desenformar.


Dicas especiais Pão sem glúten lactose

  • Leite de coco → deixa mais úmido e levemente adocicado.

  • Leite de amêndoas → sabor suave, lembra pão de padaria.

  • Leite de arroz → mais neutro, ideal para acompanhar recheios salgados.

  • Leite de aveia sem glúten → maciez extra, perfeito para sanduíches.


👉 Esse pão fica ótimo fatiado, tostado na frigideira ou torradeira.

👉 Pode ser congelado em fatias individuais, depois só aquecer.


Benefícios e Propriedades  Pão sem glúten lactose

  • Sem glúten e lactose: indicado para celíacos e intolerantes.

  • Fonte de energia: carboidratos vindos das farinhas e amidos.

  • Versátil e nutritivo: fácil de adaptar para diferentes dietas.

  • Digestão leve: não sobrecarrega o intestino.

  • Prático: pode ser congelado em fatias.

Por Ana Luiza Faria


Bolo de milho sem glúten e sem lactose dourado e fofinho, cortado em fatias em mesa rústica, ao lado de café fumegante em caneca branca.
© Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.

Um bolo caseiro leve, fofinho e naturalmente sem glúten e sem lactose, perfeito para quem busca uma opção mais saudável e saborosa. A combinação do fubá com a farinha de arroz garante textura delicada, enquanto o leite vegetal traz umidade e maciez sem pesar. É uma receita simples, nutritiva e cheia de memórias afetivas.


✅ Rende: 1 forma média (20 cm)

⏱️ Tempo total: 45 minutos


Ingredientes Bolo de milho sem glúten lactose

  • 3 ovos

  • 1/2 xícara (chá) de óleo de coco (ou outro óleo vegetal neutro)

  • 1/2 xícara (chá) de açúcar demerara

  • 1 xícara (chá) de leite vegetal (coco ou aveia sem glúten)

  • 1 xícara (chá) de fubá fino (sem glúten)

  • 1/2 xícara (chá) de farinha de arroz

  • 1/4 xícara (chá) de amido de milho

  • 1 colher (sopa) de fermento químico em pó

  • 1 pitada de sal

  • (opcional) 2 colheres (sopa) de coco ralado sem açúcar para dar mais sabor


Modo de preparo Bolo de milho sem glúten lactose

  1. Pré-aqueça o forno a 180 °C e unte uma forma média com óleo e fubá.

  2. No liquidificador, bata os ovos, óleo, açúcar e leite vegetal até ficar homogêneo.

  3. Acrescente o fubá, a farinha de arroz, o amido de milho e o sal. Bata rapidamente apenas para misturar.

  4. Adicione o fermento e misture com uma espátula, delicadamente.

  5. Despeje a massa na forma e leve ao forno por 30–35 minutos, ou até dourar e passar no teste do palito.

  6. Deixe esfriar antes de desenformar.


Dicas extras

  • Para deixar mais úmido, acrescente 3 colheres de sopa de leite de coco na massa.

  • Para um bolo mais rústico, adicione 1/2 xícara de milho verde batido junto com os líquidos.

  • Se quiser versão mais docinha sem aumentar o açúcar, finalize com uma calda leve de goiabada derretida.


Benefícios e propriedades dos ingredientes

  • Fubá (milho): fonte de fibras, ferro, magnésio e antioxidantes naturais como a luteína, que auxiliam na saúde ocular e digestiva.

  • Farinha de arroz: leve e de fácil digestão, contribui para energia sem causar desconforto intestinal.

  • Amido de milho: ajuda na leveza da massa e fornece energia rápida para o corpo.

  • Leite vegetal: livre de lactose, rico em gorduras boas (como no leite de coco) ou fibras (como no leite de aveia sem glúten).

  • Óleo de coco: fonte de triglicerídeos de cadeia média (TCM), que favorecem energia e saciedade.

  • Ovos: ricos em proteínas de alta qualidade e vitaminas essenciais como B12 e D.


👉 O resultado é um bolo nutritivo, de fácil digestão, ideal para acompanhar um café da tarde ou servir em ocasiões especiais sem abrir mão do sabor e do aconchego.

Bolo de milho sem glúten lactose

Por Ana Luiza Faria

Representação artística da plasticidade cerebral em cegos, mostrando integração de sons, tato e olfato no processamento cerebral.

Imagine estar em um ambiente desconhecido e, de repente, perceber sons que normalmente passariam despercebidos: o eco suave de passos sobre um piso diferente, o leve ruído de um objeto se movendo à distância, a mudança quase imperceptível na direção do vento. Para muitas pessoas com visão preservada, esses sinais se misturam ao pano de fundo da vida cotidiana. Para indivíduos cegos, porém, eles podem ser pistas claras sobre o espaço, a presença de objetos e até o estado emocional de quem se aproxima. Essa diferença não é apenas fruto de atenção, mas de mudanças reais na forma como o cérebro organiza e processa as informações sensoriais um fenômeno conhecido como plasticidade cerebral.


A plasticidade cerebral é a capacidade que o sistema nervoso tem de se modificar e reorganizar ao longo da vida, ajustando conexões neurais de acordo com experiências e demandas do ambiente. Quando a visão deixa de enviar informações, outras modalidades sensoriais como audição, tato, olfato e até percepção de vibrações podem assumir uma relevância muito maior. Estudos de neuroimagem mostram que, em pessoas cegas, áreas tradicionalmente dedicadas à visão, como o córtex occipital, não permanecem inativas; elas passam a ser recrutadas para processar informações de outros sentidos. Isso significa que, na prática, regiões cerebrais que evoluíram para interpretar imagens passam a ser especialistas em sons, texturas e cheiros.


Pesquisas conduzidas pela Universidade de Montreal identificaram que a reorganização neural pode ocorrer tanto em casos de cegueira congênita quanto adquirida, mas a extensão e velocidade da adaptação variam. Pessoas que nasceram cegas tendem a ter uma redistribuição mais profunda das funções cerebrais, enquanto aquelas que perderam a visão ao longo da vida preservam parte do mapeamento visual original, mas ainda assim mostram notável ganho em outros sentidos. Um estudo publicado na Nature Neuroscience revelou que indivíduos cegos de nascença podem localizar sons no espaço com uma precisão até 20% maior do que pessoas videntes, especialmente em ambientes ruidosos.


O senso comum costuma interpretar essa capacidade como uma “superaudição” ou um “tato aguçado” que surge espontaneamente. Mas a realidade é mais complexa: não se trata de sentidos fisicamente mais sensíveis, e sim de um cérebro treinado para extrair muito mais informação do que antes. A audição, por exemplo, não apenas detecta frequências, mas analisa padrões temporais, mudanças de timbre e até ecos ambientais para formar um mapa mental detalhado do espaço. O tato não se restringe a texturas evidentes, mas inclui microvariações de temperatura, pressão e vibração que ajudam a distinguir superfícies e objetos com extrema precisão.


Outra pesquisa, realizada pela Universidade de Washington, usou ressonância magnética funcional para mostrar que, durante a leitura em braile, o córtex visual primário é ativado de forma intensa, como se estivesse “vendo” através do tato. Isso contradiz a ideia de que o cérebro é rigidamente especializado: as áreas não ficam “ociosas” na ausência de seu estímulo original, mas se adaptam para otimizar a sobrevivência e a eficiência da percepção.


A plasticidade cerebral em cegos também tem implicações no olfato. Um estudo do Instituto Monell de Percepção Química indicou que pessoas cegas conseguem discriminar odores semelhantes como diferentes tipos de café ou perfumes com mais acurácia do que pessoas com visão. Esse refinamento olfativo não é apenas um detalhe curioso; ele pode ajudar na navegação, na identificação de lugares ou até na detecção de perigos.


O tato e a audição, no entanto, são as áreas onde os ganhos funcionais tendem a ser mais expressivos. Em testes realizados pelo Instituto Karolinska, participantes cegos conseguiram identificar objetos tridimensionais apenas com as mãos em menos tempo e com menos tentativas do que participantes com visão que estavam vendados. A explicação está na forma como o cérebro integra o tato com o sistema de localização espacial, criando representações mentais complexas a partir de informações aparentemente simples.


Uma descoberta recente, publicada na Cell Reports, sugere que a reorganização cerebral não se limita às áreas sensoriais, mas também alcança regiões associadas à memória e à tomada de decisão. Isso pode significar que, ao perder a visão, o cérebro desenvolve estratégias cognitivas específicas para interpretar e antecipar o ambiente com base em pistas sonoras, táteis e olfativas, usando memória espacial de forma mais intensa.


Embora a ciência já tenha mapeado muito sobre a plasticidade cerebral em cegos, ainda há pontos em aberto. Por exemplo, até que ponto o treinamento deliberado pode acelerar e potencializar essa adaptação? Pesquisas com programas de reabilitação sensorial mostram que práticas estruturadas como exercícios auditivos, leitura em braile, orientação espacial e exploração tátil de ambientes podem aumentar significativamente a eficiência neural. Isso indica que a plasticidade não é apenas um processo automático, mas algo que pode ser cultivado ativamente.


Na prática, compreender como a plasticidade cerebral funciona abre espaço para intervenções úteis no dia a dia. Em ambientes domésticos e públicos, o uso de texturas diferenciadas no piso, contrastes térmicos e fontes sonoras discretas pode auxiliar na navegação segura. Softwares de leitura de tela, dispositivos de feedback tátil e treinamentos auditivos direcionados também se beneficiam do conhecimento de que o cérebro é capaz de integrar múltiplos canais sensoriais para compensar a ausência de visão.


Outra aplicação importante está no design de tecnologias assistivas. Saber que o córtex visual de pessoas cegas pode processar som e tato com alta complexidade leva ao desenvolvimento de sistemas que “traduzem” imagens em padrões táteis ou auditivos ricos, como mapas sonoros tridimensionais ou superfícies interativas que representam formas e objetos. Isso não apenas melhora a autonomia, mas também pode abrir novas possibilidades de acesso à informação e à arte.


Ao conhecer melhor a plasticidade cerebral em pessoas cegas, é possível perceber que não se trata de um “dom especial” restrito a alguns, mas de um potencial inerente ao cérebro humano. Essa capacidade de reorganização é uma prova de que o sistema nervoso é dinâmico, adaptável e profundamente interligado. E, com estímulos adequados, pode expandir habilidades que antes pareciam limitadas ao mundo da ficção. Essa compreensão não apenas ajuda a melhorar programas de reabilitação, mas também inspira um olhar diferente sobre como todos nós podemos treinar o cérebro para aproveitar melhor os sentidos que temos.


Referências bibliográficas

Collignon, O., et al. (2011). Functional specialization for auditory–spatial processing in the occipital cortex of congenitally blind humans. Proceedings of the National Academy of Sciences, 108(11), 4435–4440.


Kupers, R., & Ptito, M. (2014). Compensatory plasticity and cross-modal reorganization following early visual deprivation. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 41, 36–52.


Voss, P., et al. (2014). Enhanced tactile spatial acuity and improved performance in a tactile spatial localization task in blind individuals. Cell Reports, 6(2), 223–228.

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