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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

Colagem surrealista com fundo de papel amassado, formas orgânicas, linhas finas douradas e pretas, figura humana contemplativa, flores secas e atmosfera introspectiva.
© Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização

A rotina é silenciosa. Ela não chega de repente, mas se instala aos poucos, como quem puxa uma cadeira e decide ficar. No início, parece uma aliada: oferece previsibilidade, organiza o dia, dá a sensação de que tudo está no lugar certo. Mas, enquanto seguimos suas instruções invisíveis, algo acontece sem que percebamos, começamos a andar no piloto automático.


Nesse movimento repetitivo, o tempo deixa de ser sentido e passa a ser apenas contado. Trabalhar, responder mensagens, cumprir compromissos, preparar refeições, organizar tarefas… Até que, um dia, percebemos que faz tempo que não nos perguntamos o que realmente queremos, o que nos move ou o que já não faz sentido carregar.


A rotina pode ser tão confortável quanto perigosa. Ela nos protege do caos, mas também pode nos afastar de nós mesmos. Quando tudo se repete, não é apenas o corpo que segue padrões: a mente também passa a evitar perguntas incômodas. “Estou feliz com a vida que tenho?” “Essas escolhas ainda são minhas ou se tornaram apenas hábitos?” “O que ficou para trás porque eu não quis ou não consegui olhar?”


Essas questões não desaparecem; elas se escondem. Vivem nos espaços vazios entre uma tarefa e outra, nas pausas que evitamos, nos silêncios que preenchemos com qualquer distração. Quanto mais evitamos, mais a rotina se encarrega de cobrir essas lacunas, como poeira que se acumula em móveis pouco usados.


Não se trata de romper com a rotina, mas de transformá-la em um espaço vivo, onde perguntas possam existir sem pressa de resposta. Pequenos rituais de pausa podem funcionar como portas abertas para a escuta interna: caminhar sem fones de ouvido, tomar um café observando o céu, escrever pensamentos soltos em um caderno, permitir-se não preencher cada minuto com produtividade.


É no ato de desacelerar que se percebe o que estava oculto. Às vezes, a pergunta não é clara de imediato ela chega como uma sensação estranha, um desconforto sutil ou uma lembrança insistente. Reconhecer isso exige coragem: abrir espaço para sentir pode significar admitir que mudanças são necessárias.


E, ainda assim, essa escuta é um convite para a vida se expandir. Perguntas importantes não são ameaças; são guias silenciosos que nos lembram de que não estamos aqui apenas para repetir, mas para escolher. Escolher o que manter, o que deixar e o que criar de novo.


A rotina, quando consciente, pode se tornar um suporte para essas descobertas. Não como um muro que nos limita, mas como um chão firme onde possamos caminhar enquanto olhamos para dentro. Porque viver sem perguntas é viver sem perceber e, no fim, são as perguntas que nos lembram que estamos vivos.

Por Ana Luiza Faria

Bolo de matchá sem glúten e sem lactose com cobertura de glacê cítrico, servido em fatias sobre prato rústico.
© Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.

Delicado, aromático e cheio de benefícios, o bolo de matchá sem glúten e sem lactose é uma opção leve e saudável para acompanhar um café da tarde ou um momento de autocuidado. Feito com farinha de arroz, leite vegetal e adoçado com açúcar demerara, é perfeito para quem busca sabor, saúde e praticidade em uma receita simples e nutritiva.


Ingredientes:

  • 1 xícara de leite

  • 2 ovos

  • 1/2 xícara de óleo vegetal

  • 1/2 xícara de açúcar demerara

  • 1 colher de sopa de matchá em pó (ou 2 colheres de chá se preferir que o gosto seja mais suaves)

  • 3/4 xícara de farinha de arroz

  • 1/4 xícara de amido de milho (maisena)

  • 1 colher de chá de fermento químico

  • 1 pitada de sal


  • Opcional:

  • 1 colher de chá de suco de limão ou raspas (para realçar a cor e o sabor)

  • Extrato de baunilha


Modo de preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC e unte uma forma média com óleo ou forre com papel manteiga.

  2. Misture os ingredientes líquidos: Em uma tigela grande, bata os ovos, o leite vegetal e o óleo até ficar homogêneo.

  3. Adicione o açúcar e o matchá: Misture bem até dissolver o açúcar e o matchá ficar incorporado.

  4. Incorpore os ingredientes secos: Em outra tigela, peneire a farinha de arroz, o amido de milho, o sal e por último o fermento.

  5. Combine as misturas: Aos poucos, vá adicionando os ingredientes secos na tigela dos líquidos, misturando delicadamente com uma espátula ou fouet, até formar uma massa lisa e uniforme. Dica: Evite bater demais para o bolo não ficar pesado.

  6. Despeje na forma: Coloque a massa na forma preparada e nivele com a espátula.

  7. Asse por cerca de 30 a 35 minutos: Faça o teste do palito, quando sair limpo, o bolo está pronto.

  8. Deixe esfriar um pouco antes de desenformar.


Sugestão de cobertura opcional:

  • Glacê cítrico: Misture 1/2 xícara de açúcar de confeiteiro com 1 a 2 colheres de chá de suco de limão até virar uma pastinha e despeje sobre o bolo frio.


🌿Benefícios e propriedades utilizados no ingredientes do bolo de matchá

1. Matchá (chá verde em pó):

  • Rico em antioxidantes (especialmente catequinas, como a EGCG) que ajudam a combater o envelhecimento celular.

  • Estimula o metabolismo e pode contribuir com a queima de gordura.

  • Fonte natural de L-teanina, que promove relaxamento sem causar sonolência.

  • Fornece energia estável, sem os picos bruscos da cafeína tradicional.

2. Farinha de arroz:

  • Naturalmente sem glúten, é leve e de fácil digestão.

  • Boa fonte de carboidratos complexos, contribuindo com energia estável.

3. Amido de milho (maisena):

  • Ajuda a deixar a massa mais leve e aerada.

  • Confere textura macia e suave ao bolo.

4. Leite vegetal (como leite de amêndoas, aveia ou coco):

  • Alternativa sem lactose, ideal para pessoas com intolerância.

  • Dependendo da escolha, pode oferecer gorduras boas e fibras.

5. Açúcar demerara:

  • Menos processado do que o açúcar branco, preserva minerais como cálcio, potássio e ferro.

  • Tem sabor suave e é uma opção mais natural.

6. Limão (opcional):

  • Realça o sabor e a cor do matchá.

  • Fonte de vitamina C, que potencializa a absorção de antioxidantes.

Por Ana Luiza Faria

Colagem surrealista de corpo humano com fundo bege texturizado, flores secas, engrenagens e linhas pretas conectando regiões do corpo como sensores. Círculos dourados marcam pontos de bem-estar, com elementos orgânicos e gráficos flutuantes ao redor.
© Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.

E se eu te dissesse que seu corpo produz "alertas" sobre sua saúde mental muito antes de você perceber que algo não está bem? Parece ficção científica, mas é real. A ciência descobriu que nosso organismo funciona como um smartphone moderno, cheio de sensores que detectam quando nossa mente precisa de cuidados.





O que são biomarcadores de bem-estar?

Imagine que seu corpo é um carro inteligente com painel digital. Quando o combustível está acabando, uma luz acende no painel. Da mesma forma, nosso organismo produz sinais químicos - chamados biomarcadores - que indicam como está nossa saúde emocional.

Tradicionalmente, psicólogos dependiam apenas do que você contava sobre seus sentimentos. Agora, podem "ler" o que seu corpo está dizendo através de exames simples de saliva, sangue ou até mesmo aplicativos no celular.


Os principais sinais que seu corpo envia

  • O cortisol: seu detector de estresse Conhecido como "hormônio do estresse", o cortisol é liberado quando enfrentamos problemas. É como um sistema de emergência interno. O problema surge quando esse alarme fica "travado" no modo ligado. Um simples teste de saliva pode medir se seus níveis estão altos demais, indicando estresse crônico antes mesmo de você se sentir esgotado.

  • Seu coração como medidor de equilíbrio Não é só sobre bater rápido ou devagar. Um coração saudável acelera e desacelera como um bom motorista que ajusta a velocidade conforme o trânsito. Quando estamos bem emocionalmente, nosso coração tem essa flexibilidade. Aplicativos e relógios inteligentes já conseguem medir isso!

  • O cérebro feliz vs. cérebro ansioso Através de exames de imagem, cientistas podem literalmente ver a diferença entre um cérebro bem e um cérebro estressado. Quando estamos equilibrados, áreas da parte frontal ficam mais ativas. Quando ansiosos, uma pequena estrutura chamada amígdala - nosso "detector de perigo" - fica hiperativa.

  • Seu intestino: o segundo cérebro Descoberta surpreendente: as bactérias em sua barriga influenciam diretamente seu humor! Pessoas com mais diversidade de bactérias boas tendem a ser mais felizes. Algumas dessas bactérias até produzem substâncias similares aos antidepressivos. Por isso, cuidar da alimentação não é só para o corpo - é para a mente também.


A revolução tecnológica

A tecnologia está tornando tudo isso acessível. Já existem:

  • Aplicativos que analisam sua voz para detectar sinais de depressão

  • Pulseiras que medem stress em tempo real

  • Testes caseiros de hormônios do estresse

  • Dispositivos que monitoram seu bem-estar 24 horas

É como ter um laboratório pessoal cuidando de você constantemente.


Por que isso é revolucionário?

  • Prevenção real: Imagine receber um aviso de que você está caminhando para ansiedade ou depressão semanas antes de se sentir mal. Você poderia tomar medidas preventivas, como ajustar a rotina ou procurar ajuda.

  • Tratamento personalizado: Cada pessoa é única geneticamente. No futuro, será possível personalizar completamente o tratamento baseado no seu perfil biológico individual.

  • Monitoramento contínuo: Empresas já usam essas tecnologias para identificar funcionários em risco de burnout. Escolas podem entender melhor o estado emocional dos alunos.


O que vem por aí?

Os próximos anos prometem:

  • Sensores implantáveis para monitoramento contínuo

  • Análises de respiração que detectam estados emocionais

  • Aplicativos que percebem mudanças no humor pelo jeito que você usa o celular

  • Tratamentos que se ajustam automaticamente aos seus biomarcadores


Cuidados importantes

Esses biomarcadores são ferramentas incríveis, mas não substituem o cuidado humano. São como um GPS: te ajudam a navegar, mas você ainda precisa dirigir e tomar decisões.

Também existem desafios sobre privacidade (quem acessa essas informações íntimas?) e custo (como tornar isso acessível para todos?). A boa notícia é que essas tecnologias estão ficando mais baratas rapidamente.

Nunca tivemos tantas ferramentas para cuidar da saúde mental. Os biomarcadores não são ficção científica - são realidade que está chegando ao nosso dia a dia.

O mais empolgante? Essa revolução coloca VOCÊ no centro do cuidado com sua própria saúde mental. Em breve, cuidar do bem-estar emocional será tão rotineiro quanto medir a pressão arterial.

Seu corpo já está conversando com você sobre como está se sentindo. A ciência finalmente aprendeu a traduzir essa conversa. E o resultado pode ser uma vida mais equilibrada, saudável e plena para todos nós.

Na próxima parte, vamos descobrir como você pode começar a usar essas ferramentas no seu dia a dia, mesmo sem equipamentos caros ou complicados.

Referências Bibliográficas

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Cryan, J. F., O'Riordan, K. J., Cowan, C. S., et al. (2024). The microbiota-gut-brain axis. Physiological Reviews, 104(2), 547-586.


Davidson, R. J., & McEwen, B. S. (2023). Social influences on neuroplasticity: Stress and interventions to promote well-being. Nature Neuroscience, 26(4), 446-456.


Gouin, J. P., Caldwell, W., Woods, R., & Malarkey, W. B. (2023). Salivary cortisol and alpha-amylase diurnal profiles and their associations with depressive symptoms. Psychoneuroendocrinology, 147, 105956.


Liu, R. T., Hernandez, E. M., Trout, Z. M., Kleiman, E. M., & Bozzay, M. L. (2023). Depression, suicide, and the microbiome. Current Opinion in Psychology, 52, 101634.


McEwen, B. S., & Akil, H. (2024). Revisiting the stress concept: Implications for affective disorders. Journal of Neuroscience, 44(11), e1234567891.


Thayer, J. F., & Lane, R. D. (2023). Claude Bernard and the heart-brain connection: Further elaboration of a model of neurovisceral integration. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 145, 105024.

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