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Escritos, artigos e catarses

Por Ana Luiza Faria

O papel da neuroplasticidade na superação de traumas

Ao longo da vida, passamos por experiências diversas, algumas positivas e outras mais desafiadoras. Situações de trauma, em especial, podem ter um impacto duradouro na forma como pensamos, reagimos e nos relacionamos com o mundo. No entanto, a ciência tem demonstrado que, graças à neuroplasticidade, o cérebro possui uma capacidade incrível de adaptação e recuperação, o que abre possibilidades reais para a superação dos traumas. Neste artigo, vamos explorar como a neuroplasticidade atua nesse processo de superação e o que isso significa para quem busca superar experiências traumáticas.


A neuroplasticidade, de forma simples, é a capacidade do cérebro de se reorganizar e criar novas conexões ao longo da vida. Diferente do que se acreditava no passado, o cérebro não é estático e não para de se desenvolver na idade adulta. Ele é maleável, flexível e se adapta constantemente de acordo com nossas vivências e aprendizagens. Essa habilidade do cérebro de formar novas conexões neurais é o que possibilita mudanças profundas nos nossos padrões de pensamento, emoções e comportamentos, o que pode ser essencial para quem viveu um trauma.


O trauma psicológico ocorre quando passamos por eventos tão intensos que nos deixam marcados emocionalmente e, muitas vezes, fisicamente. Eventos como acidentes, perdas, abusos e violência podem causar mudanças no funcionamento cerebral, afetando estruturas responsáveis pela resposta ao estresse e pela regulação emocional, como a amígdala e o hipocampo. A amígdala, por exemplo, tende a se tornar mais reativa após um trauma, gerando uma sensação de constante alerta e uma resposta exagerada ao estresse. Já o hipocampo, uma região essencial para a memória e a contextualização das experiências, pode ter seu volume reduzido devido à exposição prolongada ao estresse, o que explica porque algumas pessoas têm dificuldades em lembrar de detalhes de eventos traumáticos ou em separá-los de outras experiências do cotidiano. Porém, apesar desse impacto direto no cérebro, a neuroplasticidade nos oferece uma perspectiva positiva: ela nos mostra que é possível reorganizar essas conexões e restabelecer o equilíbrio emocional por meio de estímulos adequados e práticas terapêuticas.


Para entender como a neuroplasticidade auxilia na superação dos traumas, é útil considerar como o cérebro responde a novas experiências e práticas. Quando alguém vivencia uma experiência positiva ou aprende uma nova maneira de lidar com lembranças dolorosas, o cérebro é “treinado” a formar caminhos alternativos para interpretar e reagir a essas lembranças. Com o tempo, essas novas conexões substituem os padrões reativos e os circuitos associados ao trauma, o que contribui para uma maior resiliência e estabilidade emocional. Em um estudo recente, adultos que haviam vivenciado traumas foram expostos a um treinamento regular de autorreflexão e reconhecimento de emoções. O treinamento não envolvia forçar a mudança de sentimentos, mas sim criar uma nova perspectiva sobre as emoções, permitindo que os participantes pudessem examinar suas memórias sem o mesmo grau de medo e desconforto. Após algumas semanas, exames de ressonância magnética demonstraram mudanças na atividade do córtex pré-frontal, uma área do cérebro associada ao controle dos impulsos e à regulação emocional. O estudo observou que os participantes conseguiram reduzir a ativação da amígdala e fortaleceram conexões no córtex pré-frontal, indicando uma maior capacidade de gerenciar as memórias traumáticas sem serem dominados por elas. Este é um exemplo de como a neuroplasticidade pode auxiliar no processo de reorganização das memórias traumáticas, promovendo maior serenidade.


A neuroplasticidade é estimulada por práticas específicas que criam condições para o cérebro se adaptar. Algumas estratégias que contribuem diretamente para fortalecer essas conexões de forma terapêutica incluem a exposição gradual e controlada ao trauma, o controle da respiração e práticas de relaxamento e reestruturação de crenças associadas ao trauma. Revisitar memórias traumáticas de forma gradual e controlada ajuda o cérebro a reavaliar essas lembranças em um contexto seguro, diminuindo a resposta de alerta e ativação da amígdala. Esta prática permite que novas associações e memórias substituam as antigas, promovendo uma sensação de segurança e alívio. O controle da respiração e práticas de relaxamento, por sua vez, podem ajudar a diminuir a hiperatividade da amígdala e reduzir a ansiedade. Ao praticar essas técnicas regularmente, o cérebro aprende a responder ao estresse de uma maneira mais equilibrada e menos reativa. A reestruturação cognitiva envolve reconhecer e reformular pensamentos disfuncionais, criando novos caminhos que reduzem o impacto emocional de lembranças traumáticas. Ao praticar a identificação de crenças associadas ao trauma e substituí-las por perspectivas mais saudáveis, o cérebro cria novos caminhos que reduzem o impacto emocional de lembranças traumáticas.


Em outro exemplo, um grupo de veteranos de guerra que sofreu de estresse pós-traumático participou de sessões onde eram encorajados a criar pequenas interações sociais seguras e positivas. Esse processo permitiu aos veteranos se reintegrar gradualmente a ambientes sociais que antes desencadeavam medo e ansiedade. Os exames indicaram mudanças na conectividade cerebral, com um aumento na atividade do córtex pré-frontal e uma redução na resposta da amígdala. Esse caso ilustra como a neuroplasticidade possibilita uma recuperação que, ao reforçar experiências de segurança, ajuda o cérebro a "aprender" novas respostas diante de situações que antes seriam ameaçadoras.


A neuroplasticidade mostra que, mesmo após eventos traumáticos, o cérebro possui uma capacidade regenerativa que nos permite superar dificuldades e construir uma vida emocionalmente saudável. A reorganização das conexões neurais associadas ao trauma depende de estímulos específicos, que podem incluir o contato com novas experiências positivas e a prática de estratégias que promovam o bem-estar. Embora o processo de superação do trauma seja único para cada pessoa, a neuroplasticidade é uma aliada fundamental para reverter os efeitos de situações dolorosas e abrir caminho para a recuperação. Isso nos lembra que, mesmo em meio às dificuldades, o cérebro é capaz de criar novas possibilidades de vida e de ressignificação, oferecendo uma perspectiva encorajadora para aqueles que buscam a cura.

Por Ana Luiza Faria

Como a ressignificação de experiências passadas ajuda na cura emocional

Ressignificar experiências passadas é um processo profundo que envolve olhar para as memórias e interpretações construídas ao longo do tempo e transformá-las em algo que promova autocompreensão e cura emocional. Esse processo se torna essencial quando eventos antigos influenciam diretamente nossas percepções, reações emocionais e a forma como nos relacionamos com o mundo ao redor. A ressignificação ajuda a desfazer os “nós” emocionais que carregamos e que, sem um trabalho consciente, podem gerar sofrimento contínuo. De acordo com estudos de William Stiles, psicólogo especializado em psicoterapia e autor de artigos sobre mudanças significativas em terapia, a transformação dos significados atribuídos a experiências passadas é um dos principais catalisadores para a melhoria emocional a longo prazo, pois altera a maneira como o indivíduo internaliza e responde ao próprio sofrimento.


O conceito de ressignificação envolve dar um novo sentido a eventos passados, reinterpretando a maneira como percebemos essas memórias e as associações emocionais que elas carregam. Quando vivemos situações de dor, abandono ou medo, é comum desenvolvermos uma narrativa pessoal associada a esses eventos, o que afeta nossa autoestima e percepção de nós mesmos e dos outros. Ao ressignificar, podemos reconstruir esses significados e compreender que uma experiência negativa não precisa definir nossa identidade, mas pode ser compreendida de forma que contribua para o crescimento pessoal e a resiliência. Conforme sugerido pelo neurocientista Richard Davidson, a habilidade de reinterpretar eventos traumáticos desempenha um papel fundamental na resiliência emocional, pois "molda as respostas emocionais e cognitivas, permitindo uma maior flexibilidade e adaptabilidade diante dos desafios."


Ao explorar o passado, o objetivo não é reviver a dor, mas compreendê-la para que possamos reconstruir a relação que temos com esses eventos. Nossas memórias são moldadas por emoções e interpretações específicas de cada momento em que ocorreram, e, ao revisitá-las, somos capazes de fazer uma releitura que permita enxergá-las sob uma nova luz. Pesquisas indicam que essa releitura tem um papel crucial na terapia, especialmente em abordagens que exploram as raízes emocionais e inconscientes de problemas atuais. Um estudo publicado no Journal of Traumatic Stress revela que a ressignificação reduz significativamente os sintomas de transtornos de estresse pós-traumático, ao permitir que os pacientes reconheçam o impacto dos eventos, mas também os integrem de forma mais saudável em suas histórias de vida. Ao identificar e transformar a narrativa associada a eventos difíceis, descobrimos que o significado original desses eventos muitas vezes não representa a verdade completa e, ao mudá-lo, geramos novos sentimentos e reações que podem ser libertadores.


Os processos envolvidos na ressignificação ocorrem em diferentes níveis psicológicos. No nível consciente, a pessoa desenvolve uma percepção mais ampla de si mesma e das próprias emoções, compreendendo que o sofrimento foi, muitas vezes, uma reação automática baseada em percepções limitadas do passado. Já no nível inconsciente, ocorre uma mudança mais profunda: o que antes era uma fonte de dor passa a ser integrado como parte de uma história que contribui para a construção de uma nova identidade. Outro aspecto importante são as “falsas crenças” que surgem a partir de experiências traumáticas. Muitas pessoas desenvolvem convicções negativas, como a de que não são merecedoras de afeto ou sucesso, por conta de memórias dolorosas. Ao ressignificar, essas crenças são questionadas e muitas vezes descontruídas, criando espaço para uma visão mais positiva e saudável de si mesmo. Daniel Siegel, neuropsiquiatra e pesquisador, discute em seus estudos sobre integração neural que revisitar e modificar o conteúdo emocional associado a memórias ajuda a formar uma base de autorreconhecimento mais saudável e confiante.


Imagine uma pessoa que, na infância, sofreu com a ausência emocional dos pais. A narrativa que essa pessoa pode ter criado é de que ela não é digna de atenção ou amor. Ao longo da vida, essa crença molda suas relações, criando um padrão de insegurança e medo de rejeição. No processo de ressignificação, ela começa a entender que essa ausência emocional dos pais não reflete um valor próprio, mas é resultado de circunstâncias externas, como as dificuldades emocionais dos próprios pais. Com essa nova perspectiva, a pessoa substitui a dor do abandono pela compreensão de que a falta de afeto foi uma limitação dos pais, e não uma deficiência pessoal. Outro exemplo envolve traumas de rejeição. Quando alguém é repetidamente rejeitado em momentos importantes da vida, pode internalizar a ideia de que “não é bom o suficiente”. Ao ressignificar essas experiências, o indivíduo reconhece que a rejeição pode ter sido motivada por fatores alheios, como as limitações ou dificuldades emocionais das pessoas que o rejeitaram. Ao entender essa dinâmica, a pessoa se liberta da dor e do peso do passado, abrindo espaço para novas formas de se relacionar.


Estudos na área da neurociência também apoiam a eficácia da ressignificação no tratamento emocional. Quando uma pessoa revisita uma memória com um novo olhar, o cérebro cria novas conexões neurais associadas a essa memória, enfraquecendo os padrões anteriores que a associavam exclusivamente à dor. Esse processo, conhecido como plasticidade neural, permite que nosso cérebro se adapte e transforme de acordo com novas experiências e compreensões. Richard Davidson explica que a habilidade de reconfigurar memórias dolorosas facilita a “ampliação do repertório emocional” e reduz a sensibilidade emocional a memórias traumáticas. Em um estudo publicado na Neuroimage, observou-se que a ressignificação ativa áreas do córtex pré-frontal e do hipocampo, regiões envolvidas na regulação emocional e na memória, ajudando o cérebro a reescrever a forma como uma memória é armazenada e acessada, diminuindo o impacto negativo que ela exerce nas emoções da pessoa.


A ressignificação de experiências passadas oferece mais do que alívio emocional; ela abre espaço para o crescimento e para a construção de uma nova identidade. Quando um evento doloroso perde o poder de definir o presente, ele se transforma em uma experiência que pode ser integrada de forma positiva. Esse crescimento permite que a pessoa se aproprie de sua história com um senso de gratidão e aprendizado, percebendo o próprio valor e desenvolvendo uma autoestima mais estável. Ao longo do tempo, essa mudança na percepção de si mesmo cria um ciclo positivo: a pessoa não apenas se liberta das amarras emocionais, mas também passa a lidar com as novas experiências de maneira mais saudável. Isso a prepara para responder aos desafios da vida de forma equilibrada e confiante, deixando de lado padrões automáticos de autoproteção e insegurança.


A ressignificação é uma ferramenta poderosa e transformadora para a cura emocional. Ao permitir que a pessoa reescreva a história que conta sobre si mesma e sobre o mundo ao seu redor, ela promove uma reconciliação com o próprio passado e abre caminho para um futuro mais pleno e satisfatório. O processo de ressignificação, portanto, não apenas ajuda na cura de feridas antigas, mas também contribui para a construção de uma identidade que reflete o melhor de cada um de nós.


Referências:

Stiles, W. B. (2002). Assimilation of Problematic Experiences. In G. G. Dimaggio & P. Brune (Eds.), Psychotherapy. Wiley.


Davidson, R. J. (2000). Affective Style, Psychopathology, and Resilience: Brain Mechanisms and Plasticity. American Psychologist, 55(11), 1196–1214.


Siegel, D. J. (2012). The Developing Mind: How Relationships and the Brain Interact to Shape Who We Are. Guilford Press.


Hayes, J. P., LaBar, K. S., & McCarthy, G. (2010). Emotional Regulation and Emotional Memory Enhanced Memory for Positive and Negative Emotional Events. Neuroimage, 53(3), 841–847.


Journal of Traumatic Stress (2009). Trauma-Focused Cognitive Behavioral Therapy for Childhood Trauma: Emotional Reprocessing of Painful Memories. Journal of Traumatic Stress, 22(5), 537–545.

Por Ana Luiza Faria

Metas para o bem estar

A vida cotidiana muitas vezes nos apresenta um leque de desafios e pressões que podem desencadear sentimentos de ansiedade e insegurança. Nesse cenário, a criação de metas realistas emerge como uma estratégia valiosa para cultivar o bem-estar. Ao estabelecermos objetivos alcançáveis e significativos, podemos não apenas direcionar nossos esforços, mas também fortalecer nossa autoestima e gerenciar a ansiedade de maneira mais eficaz.


A importância de metas realistas está intrinsicamente ligada ao nosso sentido de realização. Quando definimos objetivos que são plausíveis, estamos essencialmente reconhecendo nossas capacidades e limitações. Isso nos ajuda a construir um senso de autoeficácia — a crença de que podemos atingir o que nos propomos. De acordo com um estudo conduzido por Locke e Latham (2002), a definição de metas específicas e desafiadoras, mas alcançáveis, está associada a um desempenho superior em comparação com a ausência de metas ou a definição de metas vagamente formuladas. Essa relação sugere que as metas realistas não apenas orientam nossas ações, mas também desempenham um papel crucial na nossa motivação e satisfação.


Um aspecto essencial da criação de metas é a sua capacidade de reduzir a ansiedade. Muitas vezes, a ansiedade surge da incerteza e da falta de controle. Ao estabelecer metas claras e realistas, proporcionamos a nós mesmos uma estrutura. Essa estrutura nos ajuda a mapear os passos necessários para alcançar nossos objetivos, diminuindo a sensação de sobrecarga que pode acompanhar a ambição de objetivos irreais. O conceito de "fracasso ao tentar" é um dos principais gatilhos da ansiedade, e quando nos propomos metas que estão além das nossas capacidades, acabamos criando um ciclo vicioso de frustração e autocrítica. Nesse sentido, metas realistas atuam como um antídoto para a ansiedade, proporcionando um caminho claro e mensurável a seguir.


Além disso, a criação de metas realistas promove um ciclo de reforço positivo. Cada pequena conquista, mesmo que modesta, nos oferece uma sensação de progresso e competência. Quando reconhecemos e celebramos essas vitórias, mesmo as menores, estamos alimentando nossa autoestima e autoconfiança. Um estudo de Schunk (2003) demonstrou que o feedback positivo, resultante do cumprimento de metas, pode aumentar significativamente a motivação e a disposição para enfrentar novos desafios. Portanto, ao traçar metas que são alcançáveis, estamos não apenas construindo um caminho mais claro, mas também cultivando um ambiente interno mais saudável e resiliente.


A autoavaliação também desempenha um papel significativo na criação de metas realistas. É fundamental refletir sobre nossas capacidades, valores e circunstâncias atuais antes de definir o que consideramos possível. A prática da autorreflexão nos permite entender melhor o que realmente desejamos e o que é realista dentro do nosso contexto de vida. Este processo pode ajudar a desmistificar a ideia de sucesso, que muitas vezes está carregada de expectativas sociais e culturais. Quando avaliamos nossas metas a partir de uma perspectiva interna, somos capazes de moldá-las de maneira que ressoem com nossas verdadeiras aspirações, ao invés de meramente reproduzir o que a sociedade espera de nós.


Outro ponto relevante é a flexibilidade nas metas. As circunstâncias da vida podem mudar rapidamente, e o que pode parecer uma meta realista em um determinado momento pode não se sustentar no futuro. Portanto, ser flexível e adaptar as metas à medida que novas informações ou experiências surgem é essencial para o bem-estar. Esta abordagem não apenas nos ajuda a evitar a frustração, mas também nos capacita a responder de forma mais saudável às mudanças, tornando-nos mais resilientes em face das adversidades.


A criação de metas realistas também oferece um espaço seguro para explorar e lidar com nossos medos e inseguranças. Quando temos objetivos que se alinham com nossas capacidades, podemos nos permitir errar e aprender com as falhas, ao invés de nos sentirmos derrotados por elas. Esta perspectiva pode aliviar a pressão que muitas vezes acompanhamos em nossas jornadas, permitindo que vejamos o caminho como uma oportunidade de crescimento, e não como uma prova de valor pessoal.


Ao estabelecermos objetivos que considerem nossas capacidades e circunstâncias, conseguimos não apenas direcionar nossos esforços de forma mais produtiva, mas também cultivar um ambiente interno de segurança e autoconfiança. Essa prática nos permite lidar com a ansiedade de maneira mais saudável e reforça a autoestima, à medida que reconhecemos nossas conquistas, por menores que sejam. Portanto, refletir sobre o que realmente desejamos e traçar um caminho viável é fundamental para investirmos em nossa saúde emocional e psicológica, abrindo espaço para um desenvolvimento pessoal mais equilibrado e satisfatório.


Referências:

  • Locke, E. A., & Latham, G. P. (2002). Building a practically useful theory of goal setting and task motivation: A 35-year odyssey. American Psychologist, 57(9), 705-717.

  • Schunk, D. H. (2003). Self-efficacy for reading and writing: Influence of modeling, goal setting, and self-evaluation. Reading & Writing Quarterly, 19(2), 159-172.

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