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O que ninguém te contou sobre o "Estar Bem"

  • Foto do escritor: Ana Luiza Faria
    Ana Luiza Faria
  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

Por Ana Luiza Faria

Colagem surrealista vintage com mulher parcialmente fragmentada, formas orgânicas abstratas em tons neutros, flores e folhas secas, linhas finas douradas e pretas sobre fundo de papel levemente amassado.
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Em algum momento, muitos aprendem que estar bem significa estar calmo, produtivo, positivo e em controle. Como se emoções difíceis fossem sinais de fraqueza, falha pessoal ou incapacidade de lidar com a vida. Esse aprendizado raramente é dito de forma direta, mas aparece nas frases repetidas ao longo dos anos: “isso é falta de gratidão”, “é só pensar positivo”, “tem gente em situação pior”. Aos poucos, sentir tristeza, medo, irritação ou vazio passa a ser vivido como algo errado algo que deveria ser escondido, corrigido ou superado rapidamente.


O que quase ninguém explica é que emoções difíceis não surgem do nada, nem são defeitos de caráter. Elas são respostas a contextos, histórias, perdas, pressões e adaptações que foram sendo feitas ao longo da vida. O corpo e a mente registram experiências, mesmo aquelas que nunca foram nomeadas. Quando uma emoção aparece, ela costuma apontar para algo que foi vivido, sentido ou suportado em silêncio, não para uma falha pessoal.


Existe também uma ideia bastante difundida de que maturidade emocional é sinônimo de estabilidade constante. Como se pessoas “resolvidas” não sentissem angústia, insegurança ou cansaço emocional. Na prática, o que muda com o tempo não é a ausência dessas emoções, mas a forma como elas são compreendidas. Emoções difíceis continuam aparecendo porque a vida continua exigindo adaptações: mudanças no corpo, no trabalho, nos vínculos, nos papéis sociais e na forma como cada um se percebe no mundo.


Outro ponto pouco falado é que muitas emoções consideradas “negativas” são tentativas de proteção. A ansiedade, por exemplo, costuma surgir quando algo parece incerto ou ameaçador. A tristeza aparece quando há perda, frustração ou esgotamento. A irritação muitas vezes aponta limites ultrapassados. O problema não está em sentir, mas em não entender o que essas emoções estão tentando comunicar. Quando não há espaço para escuta, elas tendem a se intensificar ou se manifestar de formas mais confusas, inclusive no corpo.


Para quem nunca teve contato com explicações psicológicas, é comum interpretar esses estados como sinal de fraqueza ou incapacidade de “dar conta da vida”. Isso gera culpa, comparação e isolamento. Muitas pessoas seguem funcionando, trabalhando e cuidando de tudo, enquanto internamente sentem um peso constante, uma sensação de inadequação ou de estar sempre em atraso consigo mesmas. Estar bem, nesse contexto, vira uma meta distante e cansativa.


Talvez o que ninguém contou é que estar bem não significa se sentir bem o tempo todo. Significa conseguir reconhecer o que se sente sem se atacar por isso. Significa entender que emoções difíceis fazem parte de processos de adaptação, luto, mudança e crescimento. Quando essa compreensão começa a surgir, algo muda: a pessoa deixa de brigar consigo e passa a se observar com mais curiosidade e menos julgamento. E, muitas vezes, é nesse ponto que o cuidado real começa.

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