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Ritmos Ultradianos: A ciência por trás das pausas necessárias a cada 90 minutos.

  • Foto do escritor: Ana Luiza Faria
    Ana Luiza Faria
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Por Ana Luiza Faria

Colagem surrealista com fundo de papel texturizado, mulher em pausa, formas orgânicas em tons neutros e linhas douradas e pretas que sugerem ciclos e ritmo, representando os ritmos ultradianos e a necessidade de pausas regulares a cada 90 minutos.
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Ritmos ultradianos são ciclos naturais de funcionamento do organismo que se repetem ao longo do dia, geralmente em períodos de cerca de 90 minutos. Mesmo sem conhecer esse nome, muitas pessoas já sentiram seus efeitos: momentos de concentração mais fluida seguidos por um cansaço súbito, uma dificuldade inesperada para manter o foco, uma irritação que surge sem motivo claro ou a sensação de que o corpo “pede” uma pausa, ainda que a mente tente insistir. Esses sinais costumam ser interpretados como falta de disciplina, preguiça ou desatenção, quando, na verdade, fazem parte de um funcionamento biológico previsível e necessário.


Durante esses ciclos, o cérebro alterna fases de maior alerta com períodos de queda gradual de energia. No início do ritmo ultradiano, o raciocínio tende a ficar mais organizado, a memória responde melhor e tarefas parecem fluir com menos esforço. À medida que o ciclo avança, o corpo começa a sinalizar a necessidade de desaceleração. A respiração muda, os músculos ficam mais tensos ou mais cansados, os pensamentos se dispersam e a paciência diminui. Ignorar esses sinais não os faz desaparecer; apenas adia a pausa que, mais cedo ou mais tarde, será exigida de forma mais intensa.


Em uma rotina marcada por cobranças constantes e pela ideia de produtividade contínua, é comum aprender a desconsiderar essas pausas naturais. Muitas pessoas se acostumam a atravessar os ciclos de exaustão forçando a atenção, recorrendo a estímulos externos ou simplesmente se culpando por não conseguir manter o mesmo rendimento. Com o tempo, isso pode gerar uma sensação persistente de desgaste, como se o corpo estivesse sempre um passo atrás das exigências do dia, mesmo quando não há um motivo evidente para tanto.


Compreender os ritmos ultradianos ajuda a dar sentido a experiências que antes pareciam confusas. A queda de concentração após um longo período de esforço não indica incapacidade; indica que um ciclo se encerrou. A necessidade de levantar, mudar de ambiente, respirar com mais calma ou simplesmente ficar em silêncio por alguns minutos não é sinal de fracasso, mas de autorregulação. Pequenas pausas ao longo do dia permitem que o próximo ciclo comece com mais clareza e presença, em vez de carregar o cansaço acumulado do anterior.


Para adultos e idosos, essa compreensão pode ser especialmente importante, pois muitas sensações físicas e emocionais passam a ser vistas como “coisas da idade” ou como sinais de que algo não vai bem, quando, na verdade, estão relacionadas ao ritmo natural do funcionamento cerebral. Respeitar esses intervalos não significa fazer menos, mas fazer de forma mais sustentável. Ao reconhecer os próprios limites de atenção e energia, torna-se possível construir uma relação menos conflituosa com o próprio corpo e com o tempo.


Os ritmos ultradianos lembram que não fomos feitos para funcionar em linha reta. Há ondas de atividade e de pausa, de foco e de recolhimento, que se alternam ao longo do dia. Quando essas ondas são ignoradas, o cansaço tende a se acumular de forma silenciosa. Quando são reconhecidas, surge a possibilidade de viver com mais escuta, menos tensão e uma percepção mais clara e consciente dos próprios sinais internos.

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