O que acontece no corpo quando você se sente sobrecarregado
- Ana Luiza Faria
- 12 de jan.
- 2 min de leitura
Por Ana Luiza Faria

Sentir-se sobrecarregado não é apenas uma experiência mental ou emocional. É um estado que mobiliza o corpo inteiro, muitas vezes de forma silenciosa, antes mesmo que a pessoa consiga nomear o que está acontecendo. Quando as demandas externas e internas ultrapassam a capacidade de adaptação naquele momento, o organismo entra em um modo de alerta contínuo, como se precisasse se preparar para lidar com algo urgente que nunca se resolve por completo.
Nesse estado, o sistema nervoso passa a priorizar a sobrevivência. A respiração tende a ficar mais curta e superficial, o coração pode bater mais rápido, os músculos permanecem tensionados e a atenção se estreita. O corpo reduz funções consideradas secundárias, como digestão, descanso profundo e processamento emocional mais elaborado. Não se trata de um defeito, mas de um mecanismo antigo e eficiente para situações pontuais de ameaça. O problema surge quando essa ativação deixa de ser temporária e se torna constante.
Com o tempo, a sobrecarga prolongada altera a forma como o corpo interpreta o mundo. Estímulos simples passam a ser percebidos como excessivos: sons, compromissos, conversas, decisões cotidianas. A sensação de cansaço não desaparece com o sono, porque o organismo permanece em vigilância mesmo durante o descanso. É comum surgirem dores musculares difusas, desconfortos gastrointestinais, alterações no apetite e na qualidade do sono, além de uma sensação persistente de peso ou aperto no peito.
Há também impactos mais sutis. A memória recente pode falhar, o raciocínio fica mais lento e decisões simples parecem exigir um esforço desproporcional. Emoções tendem a oscilar entre irritabilidade, apatia ou uma tristeza sem causa evidente. Isso acontece porque o corpo, ao se manter em estado de alerta, dificulta o acesso a áreas cerebrais ligadas à reflexão, à criatividade e à regulação emocional mais fina.
Compreender o que acontece no corpo quando a sobrecarga se instala ajuda a reduzir julgamentos internos. Muitas reações que parecem falta de força, desorganização ou desinteresse são, na verdade, sinais de um organismo tentando se proteger do excesso. O corpo fala por meio de sintomas antes que a exaustão se torne visível. Reconhecer esses sinais não elimina imediatamente a sobrecarga, mas cria espaço para uma relação mais consciente com os próprios limites.
Quando há espaço para escuta e compreensão, o corpo tende a responder. Pequenas mudanças na forma de lidar com o ritmo, as expectativas e as pressões diárias podem, aos poucos, sinalizar ao sistema nervoso que o perigo passou. A sobrecarga não desaparece por força de vontade, mas pela possibilidade de o organismo sair do estado de alerta e recuperar, gradualmente, sua capacidade de equilíbrio e adaptação.
O que acontece no corpo quando você se sente sobrecarregado


