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O silêncio que fica depois de uma vida ocupada demais

  • Foto do escritor: Ana Luiza Faria
    Ana Luiza Faria
  • 25 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Por Ana Luiza Faria

Colagem surrealista de mulher pensativa em preto e branco com folhas secas e flores flutuantes sobre fundo de papel amassado
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Durante muitos anos, tudo parecia ter um lugar definido: os compromissos da semana, as tarefas da casa, o cuidado com os filhos, o trabalho, as contas, os aniversários. A vida se organizava em torno do que precisava ser feito. Havia pouco espaço para perguntas, muito menos para silêncio.


Mas, em algum momento, o ritmo desacelera. As demandas diminuem, o tempo livre aparece, as horas ganham um espaço que antes parecia inalcançável. E é nesse espaço que, muitas vezes, surge o estranhamento: o que fazer com o silêncio?


Algumas pessoas relatam uma sensação de vazio que não tem uma origem clara. Outras, percebem uma inquietação discreta, como se algo estivesse fora do lugar, mesmo quando tudo parece estar sob controle. E há quem comece a lembrar de coisas antigas, que estavam guardadas em um canto da memória, mas voltam com uma intensidade inesperada.


Esse silêncio, que chega após anos de uma vida ocupada demais, não é um problema. Ele pode ser um convite. Um convite para escutar o que antes não podia ser ouvido, para sentir o que foi adiado, para olhar com mais gentileza para o que ficou para trás.


Atravessar essa fase da vida não significa resolver tudo. Às vezes, trata-se apenas de criar um espaço para se escutar com mais honestidade. De permitir que esse silêncio não seja um vazio, mas uma pausa viva, onde novas perguntas podem nascer.


Nem sempre conseguimos fazer esse movimento sozinhos. E tudo bem. Encontrar espaços de escuta sensível, onde a palavra não precise ter pressa nem resposta imediata, pode ser um caminho.


Talvez, nesse silêncio, exista algo querendo ser visto há muito tempo.

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