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Por que a respiração muda quando estamos ansiosos | Ansiedade

  • Foto do escritor: Ana Luiza Faria
    Ana Luiza Faria
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Por Ana Luiza Faria

Colagem editorial surrealista em estilo vintage mostrando o perfil de uma mulher com o torso substituído por uma ilustração estilizada de pulmões rosados, sobre fundo de papel levemente amassado. Formas orgânicas em tons neutros, linhas finas pretas e douradas onduladas e flores secas compõem a imagem, sugerindo o ritmo da respiração e estados internos relacionados à ansiedade.
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Quando a ansiedade se aproxima, muitas vezes algo muda no corpo antes que seja possível compreender o que está acontecendo. A respiração, que costuma seguir silenciosa, começa a se alterar sem aviso. Fica mais curta, acelerada ou irregular, como se o ar não alcançasse o fundo do peito. Surge um desconforto difícil de nomear, um aperto, uma sensação de urgência ou de que algo está fora do lugar, mesmo sem um motivo claro.


Essas mudanças costumam aparecer em períodos de preocupação constante, excesso de pensamentos, pressões internas ou situações vividas como ameaçadoras. Mesmo sem um perigo concreto, o corpo reage como se precisasse se preparar para enfrentar algo difícil. A respiração acompanha esse estado de alerta e se torna mais superficial, concentrada na parte alta do peito. Em muitos casos, isso acontece de forma automática, sem que se perceba conscientemente essa mudança no ritmo respiratório.


Com o tempo, esse padrão pode se tornar habitual. Respira-se de forma curta e tensa, como se esse fosse o modo natural de funcionar. O corpo se adapta e a alteração deixa de chamar atenção. É nesse ponto que começam a surgir sinais mais claros: tontura leve, sensação de cabeça vazia, formigamento, aperto no peito, cansaço constante ou dificuldade para relaxar mesmo em momentos de pausa. Esses sinais não aparecem isolados, mas como parte de um estado de tensão que se prolonga no dia a dia.


Nem sempre a ansiedade se manifesta como nervosismo evidente. Muitas vezes ela se apresenta de forma silenciosa, como irritação frequente, dificuldade para descansar, sensação de estar sempre atento ou uma inquietação que não se dissipa. A respiração acompanha esse funcionamento, permanecendo presa, contida, como se o corpo estivesse sempre em prontidão. Por ser um comportamento automático, a mudança respiratória costuma passar despercebida, e o reconhecimento desse estado acontece mais pelas consequências do que pela respiração em si.


Alguns sinais ajudam a perceber esse padrão: a dificuldade de encher completamente os pulmões, a sensação de suspirar com frequência, o hábito de prender o ar sem perceber ou a impressão de que o corpo nunca está totalmente relaxado. Pequenos momentos de pausa, em que se observa como o corpo está respirando em situações comuns do dia, podem trazer mais clareza sobre esse funcionamento. Não como um exercício técnico, mas como uma forma de escuta do próprio ritmo interno.


Quando esse estado de alerta se mantém por longos períodos, interfere no sono, no bem-estar e na relação com o próprio corpo. Nesses casos, buscar ajuda não significa que algo esteja fora de controle, mas que existe uma sobrecarga que precisa ser compreendida com cuidado. A escuta profissional oferece um espaço para entender como esse padrão se formou e por que o corpo passou a reagir dessa maneira. Reconhecer esses sinais é um passo importante para que a respiração deixe de ser apenas um sintoma estranho e passe a ser entendida como uma resposta a experiências que pedem atenção e acolhimento.

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